4 resultados para paradoxo
em Reposit
Resumo:
Considerando a gravação de 1947 The Bud Powell Trio como a gravação referência de trio de piano de jazz moderno, esta tese centra-se no surgimento e evolução do trio de jazz moderno cujo líder é pianista. Começando por apresentar, uma resenha dos estilos e técnicas para piano de da época pre-Powell, esta tese investiga a génese dos trios de piano jazz e examina três dos mais influeciais pianostas de jazz e lideres dos mais legendários trios de piano jazz modernos: Bud Powell, Bill Evans e Keith Jarrett. Esta tese também abordará o paradoxo inerente a um sistema democrático - a expressão própria do individuo, em justaposição com a responsabilidade para com o todo – e a sua inequivoca analogia com o gestalt do trio de piano de jazz moderno. Desde a primeira gravação de um trio de jazz com pianista como líder em 1935, o trio de jazz moderno, evoluiu tornando-se um exemplo de democracia – um contexto de igualdade em que as funções rítmicas, harmónicas, e melódicas estão igualmente distribuídas entre os três instrumentistas, que são ao mesmo tempo solistas e acompanhadores. Esta tese sublinha a eficácia do trio de jazz moderno – o seu início, e porque subsiste – baseado na sua força e beleza estética; ABSTRACT: THE TWENTIETH CENTURY JAZZ PIANO TRIO – The Rise of an Iconic Jazz Paradigm by Susan Muscarella Designating Bud Powell’s 1947 recording, The Bud Powell Trio, as the modern jazz piano trio benchmark, here, this thesis traces the emergence and evolution of the pianistled, piano-bass-drums-comprised modern jazz piano trio. Beginning with a general overview of pre-Powell jazz piano styles and techniques, this thesis investigates the earliest, most salient pre-Powell jazz piano trios, and examines three seminal modern jazz pianists and leaders of legendary modern jazz piano trios, Bud Powell, Bill Evans and Keith Jarrett. This thesis also brings to the fore the paradox inherent in a democratic system – individual self-expression juxtaposed with responsibility to the whole – and its unequivocal analogy to the modern jazz piano trio gestalt. From the earliest recording of a primarily piano-dominated piano-bass-drums-comprised jazz piano trio in 1935, the modern jazz piano trio has evolved to become a paragon of democracy – an egalitarian playing field in which rhythmic, harmonic and melodic roles are evenly distributed among all three instrumentalists who have come to serve as both soloists and accompanists.
Resumo:
É ponto assente que o desenvolvimento social e económico de um país depende do conhecimento e do nível educativo dos seus cidadãos. Num momento de crise económica profunda em que a sustentabilidade do ensino superior se encontra ameaçada e a sua organização com rumo incerto, importa, mais do que nunca, criar um espaço de reflexão em que a ciência se pronuncie, aproximando e colocando em evidência os contributos que em vários domínios se vão produzindo. Nesta conferência, que se pretende em continuidade com a realizada em 2010, elegemos como tema central a qualidade do ensino e da aprendizagem e, tendo em conta a realidade em que nos inscrevemos, alargamos a discussão aos contextos e aos modelos de organização que os podem consubstanciar. Pode parecer um paradoxo centrar esta conferência na componente mais pedagógica do ensino superior quando toda a pressão de avaliação interna e externa das instituições e dos docentes incide particularmente sobre a produção científica. Mas talvez não. Assumimos que a reflexão de cariz pedagógico continua a não ser uma prática corrente no meio universitário português que, durante gerações, se habituou a um ensino universitário tradicional destinado apenas a uma pequena elite e se alheou dos desafios da massificação de que foi alvo. A ideia de que pedagogia apenas diz respeito à relação do professor com crianças ou jovens até ao ensino secundário permaneceu latente, tornando estéril qualquer discussão que, na perspectiva de alguns, seria desnecessária e até contraproducente no ensino superior. Um novo paradigma terá de ser assumido por um ensino universitário que busca o ideal da excelência, colocando no centro do debate o equilíbrio entre as dimensões pedagógica e investigativa e uma redobrada atenção à sociedade e às mudanças se, verdadeiramente, o que pretendemos é ganhar o desafio da qualidade.
Resumo:
Um dos mais prementes dilemas que os professores da escola pública enfrentam nos seus quotidianos profissionais consiste no facto de que o paradigma deontológico do direito e da justiça, que regula o seu mandato profissional e no qual alicerçam a sua crítica e justificação, não respeitar a sua experiência mais profunda enquanto profissionais de ensino. Por hipótese, e segundo Pedro d’Orey da Cunha (1994), o paradigma que mais respeita a experiência dos professores, e que mais o dignifica é, em contraposição ao paradigma da justiça, o paradigma da responsabilidade. Com efeito, um profundo senso de responsabilidade perante o aluno parece nortear a ação docente nas escolas, numa “relação de envolvimento” (Levinas, 2000). Agir segundo uma lógica de responsabilidade pode aconselhar, no limite, e em momentos pontuais de exceção, a transgredir normas e programas formalmente instituídos, quando o bem educativo assim o exige. É, portanto, a resposta ao apelo do aluno que toma precedência sobre a obediência cega a uma imposição da lei a que está obrigado por estatutos ou contratos. O mundo cívico ou o mundo doméstico, comportam nesta exceção um instrumento de ruptura com o mundo industrial, ou noutros termos, as lógicas da colaboração e de proximidade entram em conflito com a lógica da performance e da eficácia. É neste sentido que os regimes de justificação mobilizados pelos professores em justificações múltiplas e gramáticas plurais, denunciam graves contradições entre os paradigmas da responsabilidade e da justiça. É com base na constatação deste "paradoxo deontológico" que se pretende, à luz da sociologia pragmática de Luc Boltanski e Laurent Thévenot, problematizar o conceito de justiça e de responsabilidade nos mandatos profissionais dos professores, e lançar uma reflexão sobre os efeitos das mudanças políticas na deontologia docente e ação educativa.
Resumo:
Segundo Deleuze, o paradoxo do sistema da imagem-movimento consiste em toda ela se organizar contra aquilo mesmo que permite a comunicação sensório-motora do movimento orgânico: o intervalo de movimento, que é o núcleo temporal originário da imagem cinematográfica, a ‘resgatar’ pela imagem-tempo directa. Esse intervalo, caotizante, é investido em centro (precário, em falso) de uma (instável) regularidade de movimento aspirando à totalidade de um mundo orgânico e compreensível, ‘resolvido’. O movimento tipificar-se-á em tantas imagens-movimento quantos os tipos de relação ao intervalo, sendo a imagem-relação hitchcockiana paradoxalmente a mais estabilizadora e a mais periclitante de todas. Vertigo é o nome desse ‘beiral’ da crise histórica da imagem em movimento, em que os dois vectores contrários da estabilização (as racionalizações de Scottie) e do intervalo (o saguão, a cornucópia, o pesadelo central, a mise-en-abîme das identidades) se encontram numa relação de raccord impossível, com o filme todo em suspenso do despenhamento vertiginoso de Scottie sobre um ‘saguão’ - um intervalo - doravante intransponível. A obra-prima de Hitchcock reveste assim, para além da profundidade do seu conteúdo temático, uma consciência formal aguda da natureza do cinema e do momento histórico da sua viragem; e, se o cinema pensa, ele é aqui pensamento sobre o próprio pensamento. Esse itinerário trágico, comum à imagem-movimento e aos heróis shakespeareanos, é também o da estrutura edipiana da cultura.