1000 resultados para núcleos da base


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As calcificações de núcleos da base estão relacionadas com várias doenças sistêmicas, infecciosas, neurológicas e psiquiátricas. Devido a um aumento no uso de técnicas de neuroimagem, especialmente a tomografia computadorizada (TC), as calcificações em núcleos da base são cada vez mais precocemente visualizadas. A calcinose do tipo Fahr (estriado-pálido-denteada) são encontradas em cerca de l-2% dos pacientes que se submetem a exames de neuroimagem. Os dados sobre prevalência desses achados são escassos no Brasil, sendo essencial esta definição prévia, que irá servir para embasar as próximas pesquisas sobre implicações clínicas desses achados. Nosso trabalho foi orientado para a detecção de calcificações em núcleos da base, através da TC de crânio,com posterior determinação da prevalência, após coleta de laudos radiológicos em hospitais públicos do Recife, estudando a possível relação com a idade e sexo dos pacientes. Coletamos ao total 1898 laudos tomográficos, em duas instituições de saúde (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco e Instituto Materno-Infantil de Pernambuco), sendo 836 de homens e 1062 de mulheres. Deste montante, encontramos 46 pacientes com calcificações de núcleos da base, sendo 30 mulheres e 16 homens. A prevalência encontrada foi de 2,23% no IMIP e 3,31% no HC-UFPE com variações entre sexo, faixa etária e instituição de origem. A média de idade dos pacientes com calcificações foi de 47 anos (IMIP) e 58 anos (HC-UFPE). Não houve associação estatisticamente significativa entre sexo e o achado de calcificação, porém demonstrou-se associação estatisticamente significativa das calcificações com a faixa etária acima dos 60 anos, sugerindo que a patogênese das calcificações de núcleos da base esteja ligada a algum processo subjacente ao envelhecimento, provavelmente à morte neuronal

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O trabalho consta do estudo anatomopatológico de 4 casos de calcificação de núcleos da base do cérebro, entidade que está mais relacionada a distúrbio metabólico endócrino do tipo hipoparatireoidismo e pseudohipoparatireoidismo. O estudo mostra a associação da deposição cálcica nos núcleos da base com lesão calcificada do cerebelo (cortex e núcleo denteado) em 2 casos. Demonstra também a presença não só de cálcio mas também de ferro nas lesões e a distribuição de manguito perivascular, característica dos depósitos. A ausência de uma doença básica comum e a falta de qualquer distúrbio metabólico associado, permite caracterizar estes casos como sendo de natureza idiopática ou pelo menos de causa não determinada.

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Descrevemos o caso de um paciente com diagnóstico de germinoma nos núcleos da base e tálamo, com invasão do tronco cerebral, ressaltando as características observadas nos exames de tomografia computadorizada e de ressonância magnética, os possíveis diagnósticos diferenciais, e a necessidade da comprovação anátomo-patológica, por tratar-se de localização pouco frequente de um tumor com possibilidade de evolução favorável após tratamento com quimio e radioterapia.

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Relatamos o caso de uma paciente portadora de esquistossomose mansônica com encefalopatia portal sistêmica, associada a elevada intensidade de sinal em T1 ao nível dos núcleos da base, devido a deposição de manganês, decorrente da presença de colaterais porto-sistêmicos. Ressaltamos os achados radiológicos por ressonância magnética e fazemos revisão bibliográfica sobre o tema. Desconhecemos relato de tal associação na bibliografia.

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Analisamos os aspectos clínicos de 25 pacientes consecutivos que apresentaram calcificação nos núcleos da base na tomografia computadorizada (TC) de crânio. Esta ocorreu em 0,68% de todos os exames realizados no período. Vinte e três pacientes apresentavam condições clínicas diversas, a saber: cefaléia em 7 casos, acidente vascular cerebral em 5, síndrome extrapiramidal em 2, processo expansivo cerebral em 2, epilepsia, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, demência e trauma de crânio em um caso cada ou outras condições neurológicas em 3. Não havia sintomas neurológicos em 2 casos. Em 15 pacientes (60,0%) havia, além da calcificação dos núcleos da base, outras alterações na TC. Correlação clínica foi observada apenas com as outras alterações da TC e não com a calcificação dos núcleos da base, corroborando a hipótese de que esta possa ser um achado incidental.

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Os receptores canabinóides CB1 são abundantemente expressos nos núcleos da base (NB), sugerindo a participação do sistema canabinóide na Doença de Parkinson (DP). Os objetivos deste estudo foram investigar a localização do CB1 nos NB de ratos; avaliar o decurso temporal de sua expressão e de marcadores neuronais em modelo experimental da DP in vivo, e avaliar os efeitos do tratamento com compostos canabinóides em modelos experimentais da DP in vivo e in vitro. Nossos resultados mostraram que o CB1 é predominantemente expresso em neurônios GABAérgicos nos NB. A lesão dopaminérgica produziu mudanças temporais distintas da expressão do CB1 nas estruturas dos NB. O tratamento com o agonista canabinóide ACEA agravou à lesão dopaminérgica e o desempenho comportamental motor. Por outro lado, o tratamento com o antagonista AM 251, embora não tenha gerado diferenças neuroquímicas, gerou melhoras nos testes comportamentais. Por fim, em nosso modelo in vitro, o tratamento com inibidor de recaptação da anandamida AM 404 gerou uma discreta redução dos níveis de morte celular.

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O óxido nítrico (NO) é uma molécula gasosa descrita recentemente, com implicações sobre uma vasta quantidade de processos fisiológicos, incluindo transmissão de sinais no sistema nervoso central (SNC). A sinalização nervosa mediada pelo NO ocorre por meios extrassinápticos, na chamada neurotransmissão por volume. Há evidências de que o NO seja um importante fator de modulação no controle da motricidade. A presença de neurônios que produzem NO já foi descrita em várias espécies, e estruturas ligadas ao controle do movimento como os núcleos da base (NNBB) contêm células nitrérgicas em quantidades variadas. Não se conhece os efeitos do processo de envelhecimento sobre a estrutura e função destes neurônios produtores de NO. O objetivo geral deste estudo foi investigar se o envelhecimento provoca alterações nos neurônios nitrérgicos presentes nos NNBB do encéfalo humano. Além disso, busca agregar mais conhecimento a aspectos morfológicos e de distribuição das células que compõem o sistema nitrérgico nos NNBB em humanos. As amostras de estriado (caudado e putâmen), globos pálidos (GP), núcleo subtalâmico (NST), substância negra (SN) e núcleo pedunculopontino (NPP) de 20 indivíduos sem doenças neurológicas e psiquiátricas foram submetidas à avaliação histológica em secções, coradas por técnicas que localizam neurônios que expressam NO, como a histoquímica para NADPH-diaforase (NADPHd) e à imunohistoquímica para sintase do NO neuronal (nNOS), e parâmetros de densidade neuronal e morfometria foram comparados entre indivíduos adultos jovens e idosos. Análises de densidade neuronal e morfometria entre subdivisões topográficas e funcionais também foram realizadas. Foi visto que o envelhecimento não provoca modificações na densidade neuronal e morfometria nitrérgica nos NNBB em humanos. Adicionalmente, o trabalho mostrou que: (I) as regiões mais posteriores do estriado se destacaram por apresentarem uma elevada densidade neuronal, associada a neurônios menores, em comparação com as regiões mais anteriores; (II) as porções do estriado ligadas ao córtex límbico apresentam maiores densidades neuronais; (III) o NST é uma região em que cerca de 90% de seus neurônios expressam NO, e suas características morfológicas sugerem que estas células coexpressem glutamato; (IV) o NPP é extensamente povoado por neurônios nitrérgicos, principalmente no nível do colículo inferior; (V) a presença de células NO-positivas é preponderante nas lâminas medulares de ambos GP, porém notamos maior concentração de células nitrérgicas no GPi; (VI) não foi detectada presença de neurônios quem contém NO na SN. Nossos resultados mostram que há uma presença maciça de neurônios que expressam NO em núcleos-chaves envolvidos com processamento motor corticobasal, como o NST, o estriado e o NPP, sugerindo que a neurotransmissão nitrérgica seja peça fundamental da fisiologia dos NNBB, portanto, com considerável potencial terapêutico nas doenças que afetam estas estruturas.

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A Doença de Fahr (DF), mais apropriadamente denominada FIBGC (Familial Idiopathic Basal Ganglia Calcification, traduzida como Calcificações Idiopáticas de Gânglios da Base de herança Familial), ou simplesmente IBGC, compreende os tipos idiopáticos de calcificações de núcleos da base do cérebro, que são caracterizadas por agregados calcificados nas regiões do Globo Pálido, Putame, Núcleo Caudado e frequentemente também no Tálamo, Cerebelo e substância branca subcortical, de formas simétricas e documentadas por tomografia computadorizada (TC) em indivíduos com perfil endocrinológico normal e geralmente com um padrão de herança genética autossômica dominante. Novos casos de IBGC têm sido crescentemente descritos, aparentemente devido ao crescente uso da TC. Este estudo analisa e compara o volume das calcificações cerebrais em pacientes diagnosticados com IBGC. Até o presente, não havia sido relatada comparação volumétrica de tais calcificações. Nossa fonte de dados foram os arquivos de computador tipo “DICOM” referentes cinco exames de Tomografia Computadorizada. Os dados obtidos através dessa análise mostram diferentes comportamentos da lesão radiopaca, mesmo em gêmeos idênticos. Também constatamos que a estratificação das lesões em função de sua densidade radiológica (medida em HU) pode nos trazer mais informações a respeito do comportamento dessas lesões.

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Os autores apresentam dois casos de hemicoréia-hemibalismo de início súbito em pacientes portadoras de diabete mélito descompensado, cujas tomografias computadorizadas de crânio revelaram hemorragia difusa nos gânglios da base contralaterais aos movimentos anormais. A descrição de caso em paciente jovem e portadora de diabete mélito insulino-dependente é inédita. Os autores discutem os mecanismos fisiopatológicos que tentam explicar a relação entre a hiperglicemia não-cetótica e o quadro de hemicoréia-hemibalismo associado a lesão estrutural ao nível de núcleos da base.

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Introdução: Apesar do grande impacto da ressonância magnética funcional em neurociências, a sua aplicabilidade clínica ainda é pequena. Um dos principais motivos é a falta de dados populacionais para dar suporte à decisão clínica. Esta tese teve por objetivo formar um banco de dados normais, representativo de pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Métodos: Foram estudados 64 acompanhantes normais dos pacientes do HCFMUSP. Cada indivíduo realizou tarefas quem envolviam função de linguagem, somatossensorial, motor, audiovisual e de memória em aparelho de 1,5 T. Foram colhidos dados demográficos, de desempenho e neuropsicológicos dos sujeitos e de controle de qualidade do magneto de RM. As imagens funcionais foram analisadas através do software XBAM para cada indivíduo, para os grupos e para análise de correlação comportamental. Resultados: A amostra teve uma distribução demográfica variada. Os resultados das análises de grupo mostraram padrões de acordo com a literatura. O paradigma motor mostrou efeito BOLD positivo nos giros pré e pós-centrais estendendo-se para regiões pré-motoras e parietais, área motora suplementar, áreas somatosensoriais secundárias, núcleos da base e tálamo contralaterais à mão avaliada e hemisférios cerebelares ipsilaterais. O paradigma somatossensorial das mãos demonstrou efeito BOLD positivo nos giros pré e pós-centrais, núcleos da base e tálamos contralaterais à mão estimulada, cerebelo ipsilateral à mão estimulada e o córtex somatossensorial secundário bilateralmente e o da face mostrou os giros pré e pós-centrais, o córtex parietal, regiões pré-motoras, regiões temporais posteriores e inferiores e área somatosensorial secundária bilateralmente. A análise de grupo dos paradigmas de linguagem mostrou efeito BOLD positivo no giro frontal inferior e ínsula bilateralmente, maiores à esquerda, giro frontal médio esquerdo, cíngulo anterior, área motora suplementar, cerebelo à direita e vermis cerebelar, núcleos da base e tálamos à esquerda e em particular na fluência verbal falada com apresentação de letras diferentes, lobo parietal esquerdo. No paradigma audiovisual a condição visual mostrou efeito BOLD positivo no córtex occipital, parietal e cerebelo bilateralmente e a condição auditiva, nos lobos temporais bilaterais, com extensão fronto-parietal à esquerda. A análise de grupo do paradigma memória mostrou áreas no cerebelo, córtex occipital, giro frontal médio, região frontal mesial anterior e lobo parietal, com predomínio à direita. Nos mapas individuais foram detectadas muitas regiões em cada paradigma e houve grande variabilidade, sendo as regiões cerebrais que apresentaram efeito BOLD positivo com maior frequência ( 85%): giro pré-central esquerdo (95%) e cerebelo superior direito (87%) no movimento da mão direita; giro pré-central direito (88%) no movimento da mão esquerda; giro pós-central esquerdo (88%) no estímulo somatosensorial da mão direita; giro pós-central direito (89%) no estímulo somatosensorial da mão esquerda; giro lingual direito (90%) e esquerdo (88%) no estímulo visual; e giro temporal médio direito (93%) e esquerdo (91%) na condição auditiva. As tarefas de memória e fluência verbal não tiveram nenhuma região com frequência acima de 80%. Conclusões: Os padrões de ativação cerebral obtidos nas imagens de RMf do grupo de participantes são semelhantes à literatura. A freqüência das regiões com efeito BOLD positivo foi maior nos córtices primários sensoriais e motores. As informações colhidas no trabalho constituem uma base de dados que pode ser utilizada para suporte à decisão clínica.

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Introdução: a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico grave, de etiologia multifatorial, atingindo cerca de 1% da população. Numerosos aspectos dos sintomas esquizofrênicos, incluindo as alterações cognitivas e o empobrecimento ocupacional e social, mostram grande similaridade com a hipofrontalidade decorrente de lesões do córtex frontal. Estudos de neuroimagem têm revelado hipometabolismo no córtex pré-frontal, no tálamo e nos núcleos da base e uma correlação positiva com a gravidade do quadro clinico dos pacientes esquizofrênicos. Entretanto, poucos estudos têm analisado a associação entre metabolismo cerebral e prejuízo no funcionamento ocupacional e social destes pacientes. Objetivos: Correlacionar as alterações metabólicas do córtex pré-frontal dorsolateral (CFDL), tálamo, e estriado (putâmen e núcleo caudado), bilateralmente, mensurados à ressonância magnética espectroscópica protônica (¹H-ERM) com o grau de alterações e ocupacionais e sociais em pacientes com esquizofrenia e controles. Materiais e Métodos: Participaram do estudo 25 pacientes com critérios da DSM-IV para esquizofrenia e 12 controles de voluntários sadios sem diagnóstico psiquiátrico de doenças graves, avaliados por ¹H-ERM e por medidas de desfecho funcional (EAFSO, AGF, EAS) cognitivo (WCST) e sintomatológico (BPRS). Foram utilizados métodos de determinação de diferenças entre 2 grupos de médias e medianas, por teste t de Student e Mann-withney, com confirmação através de análise de covariância (Ancova), nos modelos lineares(GLM), do software SPSS 10. 0.Com medida de covariância: idade, sexo, educação, início, tempo e gravidade de doença. Resultados: Houve diferença significativa de metabolismo cerebral entre esquizofrênicos e controles em relação a diferentes parâmetros. Foi evidenciada redução de metabolismo no grupo de esquizofrênicos, quando comparados com controles, em CFDL direito em relação às razões metabólicas NAA/Cr (p=0,009), NAA/Co(p=0,001), e NAA/(Cr+Co) (p=0,001), e em putâmen esquerdo nas razões metabólicas NAA/Co (p= 0,020) e NAA/(Cr+Co) (p= 0,046), e aumento de metabolismo em tálamo esquerdo, na razão Co/Cr (p=0,013). Dentro do grupo dos esquizofrênicos, foi detectada associação positiva no CFDL direito, entre os níveis de N-Acetilaspartato, em suas razões NAA/Co (p= 0,009) e NAA/Cr+Co (p= 0,026),e funcionamento ocupacional e social, medido pela escala EAFSO e na AGF em suas razões metabólicas NAA/Co (p= 0,005) e NAA/Cr+Co (p= 0,020) Uma associação negativa da razão NAA/Co (p= 0,026) e sintomatologia psiquiátrica, medida pelo BPRS e associação negativa da razão NAA/Cr (p=0,050) em tálamo direito e uma associação positiva para a razão NAA/Co (p=0,050) em CFDL direito e o número de categorias completadas no WCST.Conclusão: O estudo fornece quatro evidências adicionadas a estudos anteriores, e uma evidência original. O apoio encontrado aos dados da literatura é de (i) diminuição significativa de metabolismo de NAA (medido pelas razões NAA/Cr e NAA/Co) em relação a controles normais, (ii) associação entre metabolismo de NAA e prejuízo funcional, medido pela EAFSO e a AGF, (iii) prejuízo cognitivo medido por WCST e (iv) associação negativa entre alterações dos níveis de NAA no CFDL e sintomas psiquiátricos definidos pelo BPRS. A evidência original (v) foi de que portadores de esquizofrenia possuem menor metabolismo no córtex pré-frontal dorsolateral direito, sendo que maior prejuízo nesta área está associado a maior prejuízo de funcionamento ocupacional e social. Ao confirmar as diferenças de metabolismo cerebral em circuitos fronto-talámo-estriatais nos pacientes com esquizofrenia comparados com controles, corroborando no maior entendimento da fisiopatogenia desta doença. Tomadas em conjunto, estas alterações metabólicas e funcionais, indicam que existe uma possibilidade de que a esquizofrenia se apresente como resultado de uma disfunção ou perda de neurônios, que antecedem, provavelmente, ao início da doença, causando nesses pacientes um maior prejuízo de adaptação às demandas da vida cotidiana.

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Esta tese trata da construção do direito à saúde com participação e ênfase na leitura dialética da história das políticas públicas de saúde no Brasil a partir da concepção do movimento sanitário, em um contexto de reformas do Estado e de construção do projeto democrático popular. Ela tem a finalidade de analisar como se materializa o debate do SUS, enquanto modelo de atenção universal, nos espaços públicos a partir da participação política dos atores coletivos do campo popular no movimento de reformas. Assim, os indicadores que orientaram a análise são: que participação política pode ter produzido a saúde como direito social? e como se conformam os espaços públicos no desenho institucional na saúde no RS? Isso foi feito a partir da análise documental das Resoluções do CES/RS, dos Relatórios das Conferências e dos Planos Estaduais de Saúde, que orientou o caminho histórico. Ademais, quatorze atores coletivos indicados a partir da técnica da “bola de neve”, via narrativa oral temática, contribuíram explicitando as principais estratégias, as articulações, as mobilizações e a educação política nesse processo. Esses atores estão identificados com o movimento sindical (Fetag/RS, o Departamento Rural da CUT –Fetraf/Sul), o Sindsepe/RS, o Sindfarm/RS, o Movimento comunitário, a Fracab/RS, bem como a CUT/RS, as ONGs (CAMP/RS, CEAP/RS), os movimentos sociais (MMC/RS), o Fórum de Saúde Mental, a igreja (CEBs), além da representação profissional (Cress) e segmentos da Federação dos Hospitais Filantrópicos do RS. As narrativas foram obtidas por meio de entrevistas coletadas egravadas com autorização, transcritas e codificadas pelo Software NVIVO, sistema de análise qualitativa que possibilita a organização, apresentação, interpretação e divulgação mais rápida dos dados. Utilizou-se a análise de conteúdo segundo Bardin (1977).Os resultados indicam que esse movimento ou esses movimentos em defesa do direito à saúde e da instituição do SUS podem ser divididos em três fases: a primeira ocorreu em fins dos anos de 1970 e início dos anos de 1980. Nesse período, a agenda política mobilizadora dos movimentos sociais era a construção e a garantia de direitos na perspectiva da Seguridade Social, terra, trabalho e acesso à saúde. Já nos espaços públicos a luta era pela autonomia em relação às estruturas tradicionais. E as estratégias utilizadas pelos atores coletivos foram a organização de base, a mobilização, a articulação e a formação política. Trata-se de ferramentas potencializadas pela estratégia da Educação Popular, via núcleos de base, dos grupos de discussão, das comissões de saúde e ainda dos Seminários e dos Congressos. É um movimento que tanto forma seus dirigentes quanto disputa espaços na sociedade. Na segunda fase, já no contexto dos anos de 1990, constata-se, de um lado, um movimento de Democratização Política, com regulamentação de direitos via legislação, nova concepção de saúde com participação nos espaços públicos, tendo como particularidades a descentralização do CES/RS no RS e, de outro, um contexto de Reformas do Estado com avanço do Projeto Neoliberal, com refluxo dosmovimentos sociais e resistência propositiva nos espaços públicos, centralidade na gestão, aliados ao avanço do “Projeto Privatista”. E uma terceira fase 2003 com ênfase no modelo de desenvolvimento nacional; no RS, porém, aprofunda-se a crise na saúde, percebe-se o avanço das Fundações Públicas de Direito Privado e a crescente perda de poder deliberativo dos Conselhos de Saúde.Surgem novos movimentos de resistência, trazendo para o cenário algumas lutas históricas, a “representação política”, a “participação direta”, a “representatividade” e ainda questões como qualidade e acesso a ações e serviços de saúde, dentre outras. Constata-se que, a partir da participação política dos trabalhadores dirigentes e de suas estratégias de mobilização, de organização, de articulação e de educação política (“fazer com”) enquanto ferramenta da educação popular foi possível construir as mediações necessárias entre as forças políticas societais (movimentos sociais, sindicais, igrejas, ONGs) e as forças políticas estatais (governo e suas instituições, trabalhadores, partidos) para um Projeto popular nos anos de 1980. Já nos anos de 1990, de um lado, vemos o refluxo dos movimentos sociais, uma participação de resistência propositiva nos espaços públicos e a perda de força política do campo popular e, de outro, a centralidade do poder nas gestões e a judicialização dos direitos. Entretanto, os espaços públicos dos Conselhos e das Conferências de Saúde ainda mantêm certa potência na mediação das relações entre o Estado e a sociedade, mas necessitam incluir novos atores coletivos e garantir a pluralidade na participação.

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O envolvimento do sistema nervoso central pelo Schistosoma é menos comum e pode ocorrer em qualquer forma clínica da esquistossomose. A maioria dos casos de neuroesquistossomose associados às formas crônicas hepatoesplênica e cardiopulmonar, ou à forma severa da esquistossomose urinária é assintomática. O objetivo deste estudo foi descrever os achados de ressonância magnética (RM) no encéfalo de uma série de portadores jovens de esquistossomose hepatoesplênica, sem manifestações neurológicas evidentes. Trinta e quatro jovens com idades entre 9 e 25 anos foram selecionados ao acaso de uma população de pacientes com esquistossomose mansônica hepatoesplênica que havia sido submetida a esplenectomia, ligadura da veia gástrica esquerda e auto-implante de tecido esplênico, no seguimento ambulatorial pós-cirúrgico. Os exames de RM foram realizados em equipamento de 1,5 T, sendo obtidas seqüências multiplanares ponderadas em T1, T2 e FLAIR com a utilização do contraste paramagnético e os relatórios foram emitidos após consenso por dois radiologistas. Os exames foram normais em 9 (26,5%) pacientes e alterados em 25 pacientes (73,5%). As alterações mais freqüentes foram: focos puntiformes de hipersinal em T2 e FLAIR na substância branca de um ou ambos hemisférios cerebrais (48,0%); hiperintensidade de sinal em T1 bilateral e simétrica nos globos pálidos e/ou pedúnculos cerebrais (32,0%); e tênues hiperintensidades de sinal em T2, imprecisas, periatriais interpretadas como mielinização tardia (20,0%). Embora hiperintensidade de sinal em T1, particularmente nos núcleos da base, seja freqüentemente observada em pacientes com encefalopatia hepática, esta alteração em pacientes sem sintomatologia neurológica não é usual. Alguns destes achados, apesar de inespecíficos, não são habitualmente encontrados em indivíduos sadios nesta faixa etária, podendo estar relacionados à doença de base. O conjunto dos resultados indica que o envolvimento encefálico na esquistossomose hepatoesplênica pode ser mais freqüente do que se acredita e tende a seguir o padrão observado em pacientes com cirrose. Esses achados reforçam a necessidade de acompanhamento desses pacientes, mesmo sem manifestações neurológicas evidentes, refletindo o impacto da RM nas pesquisas e na rotina médica