135 resultados para Cicatriz
Resumo:
A prática regular de exercícios físicos previne e combate várias doenças ao longo do tempo, destacando-se como excelente ferramenta terapêutica para o tratamento de lesões no sistema nervoso central (SNC). Após uma transecção (completa ou incompleta/hemissecção) da medula espinhal, células gliais reativas secretam substâncias inibitórias à regeneração axonal como, por exemplo, as moléculas de proteoglicanas de sulfato de condroitina (PGSCs) que exercem papel importante na formação de uma barreira físico-química, chamada cicatriz glial, que impede o crescimento dos axônios danificados pela lesão. Pesquisas que envolvem modelo experimental de lesão da medula espinhal e reabilitação por exercício físico têm obtido promissores resultados. No entanto, os mecanismos fisiológicos e moleculares pelos quais promovem esses resultados positivos ainda são pouco conhecidos. O objetivo do presente trabalho foi analisar a recuperação da função motora da pata posterior após protocolo de exercício físico voluntario em modelo experimental de hemissecção da medula espinhal e investigar dois mecanismos moleculares envolvidos na recuperação funcional: a degradação de PGSCs nas redes perineuronais e acetilação de histonas. Para isso, vinte e quatro (24) ratos da linhagem Wistar (Rattus novergicus) foram utilizados e separados em 3 grupos (controle, treinados e não treinados). Com exceção do grupo controle, todos os animais foram habituados a rodas de corridas e em seguidas foram submetidos a uma cirurgia experimental de hemissecção da medula espinhal, na altura da 8a vertebra torácica. Nossos resultados demonstraram que o exercício voluntário em rodas de corrida após lesão experimental da medula espinhal promoveu recuperação da função motora da pata posterior afetada, porém não observamos diferenças qualitativas na acetilação de histonas e degradação de PGSCs entre os grupos.
Resumo:
No Brasil, a hanseníase ainda persiste com elevados coeficientes de detecção, inclusive em menores de quinze anos, em especial nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os resultados de estudos soroepidemiológicos para hanseníase, utilizando teste sorológico anti- PGL-1, pelo método Elisa, realizados no Estado do Pará onde os municípios em sua maioria alcançam patamares de elevadas endemicidade, podem ser comprometidos pela ausência de definição local de parâmetro que limite os níveis séricos de anticorpos específicos, IgM, anti- PGL-1 entre positivos e negativos; assim como, as avaliações e o seguimento de casos de pacientes reacionais e suspeitos de recidiva, ou de doentes e infectados sem sinais clínicos.Autores defendem a posição de que o ponto de corte (PC), entre positivos e negativos, deve ser encontrado a partir de uma população de doadores não contato de hanseníase da própria área de estudo para possibilitar comparabilidade. O objetivo do estudo foi descrever o comportamento sorológico dos níveis de anticorpos anti-PGL-1, método ELISA, em indivíduos sadios de áreas endêmicas em hanseníase no Estado do Pará, sua correlação com níveis de endêmicidade e fatores demográficos, e identificar PC para o teste. Estudo analítico transversal, população composta por doadores de sangue dos hemocentros do Estado do Pará. Amostra de 1.001 doadores de sangue não contato intradomiciliar de portadores de hanseníase, residentes em áreas de elevada endemicidade do Estado do Pará. Seleção dos participantes através de entrevista e ficha epidemiológica com variáveis independentes, como sexo, idade e cicatriz de BCG que foram correlacionadas com os níveis sorológicos de anti- PGL-1 encontrados na população do estudo. Resultados mostraram que não houve significância estatística entre sexo, idade, presença de cicatriz de BCG e os níveis de anti- PGL-1, usando PC ≥ 0,2. A média dos níveis de anti-PGL-1 foi notadamente baixa para áreas de hiperêndemicidade e muito alta endemicidade. As taxas de soropositividade e soroprevalência também foram consideradas baixas. Foram encontrados diferentes pontos de corte com a média geral dos níveis de anti-PGL-1, com a média por hemocentro e por municípios. A soropositividade obtida com PC ≥ 0,13 dobrou em valores absolutos de 15 para 36 em todas as três variáveis analisadas, apesar de não ter produzido resultados com significância estatística. Sugere-se a realização de mais estudos soroepidemiológicos utilizando ponto de corte mais baixo, como o encontrado neste estudo (0.13), para avaliar a influencia do mesmo na sensibilidade do teste, na soropositividade em contatos e não contatos de portadores de hanseníase, na descoberta de infecção subclínica e seguimentos dos casos.
Resumo:
Com base numa experiência pessoal com a dança e leituras sobre butoh, o trabalho traça um paralelo entre o corpo na dança butoh e o corpo na educação, pensando como o corpo do educando é cerceado a ponto de não conseguir criar possibilidades de liberdade e resultando por isso numa indisciplina como grito de socorro. O primeiro meio de comunicação é o corpo, é nossa mídia mínima e é o primeiro a ser domesticado na escola e na sociedade. O trabalho busca caminhos pelo labirinto procurando como esse corpo poderia encontrar manifestações expressivas no meio da pressão e prisão em que é inserido na sociedade e, consequentemente, na escola, mostrando como exemplo os caminhos que o butoh criou como forma de resistência. Com apoio de Christine Greiner e Maura Baiocchi, procura decifrar como os dançarinos de butoh se manifestam contra esse meio opressor que impôs ao Japão uma cultura ocidental indo contra, rotulando e desrespeitando as nuances da cultura japonesa. Exercitando um butoh com as palavras, Clarice Lispector serve de inspiração à pesquisa, dando pinceladas que mostram quão profundo pode ser um movimento artístico quando se tem o corpo intenso e inteiro na criação, como ela tem. No trabalho, a autora revela o sonho de uma educação onde o corpo vivesse toda a experiência intensamente, recebendo suas marcas como um presente e não como uma cicatriz que dói. Com a ajuda do butoh, sonha uma escola que deixaria marcas a servirem como pistas para a criança encontrar seu próprio corpo
Resumo:
Articular cartilage is the structure that coats the bone ends in regions where two bones are articulated, allowing movement. It has inefficient intrinsic and extrinsic mechanisms of repair, usually resulting in fibrocartilage formation after injury. Such repair have lower strength, stiffness and usability features when compared to hyaline cartilage. The mesenchymal stem cells have the potential to regenerate tissue without the production of scar, and because of this feature it is well studied. But to have its maximum chondrogenic potential, it is necessary to use scaffolds and growth factors. Biomaterials play the role of scaffold for the cells allowing them to become attached, grow and produce extracellular matrix, leading to formation of repair with hyaline cartilage. In this sense, the purpose of this study is to provide information on the various studies using cell therapy and / or biomaterials to produce hyaline cartilage
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Many incisions have been described for approaches to zygomatic fractures. Precise repositioning of zygomatic complex fractures is difficult. The traditional approach is through an eyebrow incision, but it can produce a scar that causes aesthetic and psychological problems for the patient. We describe the supratarsal fold approach to expose the frontozygomatic suture and to reduce small displacements of frontal sinus anterior wall; it gives good access and excellent aesthetic results.
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The choice of surgical approach to diseases that affect the pre-auricular region has been subject of much discussion in the literature. Access pre-hearing, have been used with high compliance rate of success, and during the history of surgery, several modifications were made in this approach with the goal of reducing the irreversible consequences especially regarding common in condylar fractures as paralysis and facial scars. The views range from the indication of surgical treatment for all fractures, until the conviction that no fracture of the bone segment should be surgically treated. Therefore, this study is of relevance, since offers surgeons warn about the care on the anatomical structures involved in these surgical approaches and describe, seeking a comparison between them, the advantages of them by means of a literature review covering from the extensive bouts of Bellinger (1940) and Al-Kayat (1979) that provide a broad view of the surgical field to access modified and increasingly smaller as the endaural (2001) which not only allows a satisfactory field of aesthetics as maintenance the patient without any signs of scarring.
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Bone reconstructions are traditionally conducted with autogenous grafts harvested from intra- or extra-oral donor sites to reestablish the lost bone volume for further implant-prosthetic rehabilitation. The calvarial bone has been studied as an excellent donor site in large atrophic situations, presenting low resorption rates, as well as complications and minimal morbidity. The hospitalization time is short, with low pain levels, short functional limitations, and invisible scars. The skull microarchitecture is predominantly cortical in the presence of growth factors that demonstrate their osteogenic, osteoinductive, and osteoconductive abilities resulting in low resorption rate and high predictability when compared to the iliac crest. Dural lacerations, extra and subdural bleeding, cerebrospinal fluid leakage, and brain damage have been minimized due to the development of surgical technique. The delimitation of diploe, preserving the internal skull cortex before osteotomy at the donor made it possible to reduce accidents and complications. The aim of this paper is to show a technical and to discuss aspects of the use of calvarial bone in the reconstruction of severely atrophic maxilla for oral rehabilitation with osseointegrated implants.
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Este trabalho final de graduação apresenta uma proposta de requalificação de espaços residuais situados à margem dos dois córregos existentes na cidade de Novo Horizonte, São Paulo. As áreas abordadas nesse estudo possuem a inexistência de infraestrutura e manutenção como característica em comum; e também, dentro do Plano Diretor Municipal, serem consideradas Áreas de Especial Interesse Ambiental, Urbanístico e para Utilização Pública. Porém, na maioria das vezes, essas áreas não se encontram ociosas do ponto de vista das ações antrópicas, que improvisam os próprios equipamentos e realizam atividades de lazer, esporte e recreação. Outro ponto abordado nesse trabalho foi a revitalização de um galpão abandonado há dezesseis anos, onde funcionava uma concessionária, que por motivos diversos acabou se tornando uma cicatriz na cidade. Nesse espaço, situado em uma área onde se aplica o direito de preempção, foram pensadas ações projetuais que proporcionassem novas e boas memórias para os cidadãos. Assim, o projeto teve como conceito a organização das atividades existentes, qualificando e estruturando os locais para sua prática, atendendo às necessidades da população de várias faixas etárias e criando uma continuidade dos equipamentos, criando novos locais para mobilidade e permanência, e também a incorporação de novas práticas importantes, como a preservação e manutenção dos locais construídos
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Birigui nasceu e se expandiu a partir da Estrada de Ferro do Noroeste do Brasil. Esta permitiu que o município não fosse somente um posto de parada, mas sim um núcleo urbano. Além disso, foi essencial para o traçado urbano, visto que as ruas e quadras foram feitas paralelas a linha férrea. No entanto, atualmente, o local que deu início a cidade, não mais possui vestígios históricos, visto que sua primeira estação ferroviária foi demolida para a construção de uma nova a 1,7 km de distância. Tal demolição ocorreu devido uma modificação necessária do traçado da linha férrea. Percebe-se, portanto, que parte do patrimônio ferroviário de Birigui foi demolido, e outra parte encontra-se inutilizada, constituindo um vazio urbano em meio a malha urbana. Dar atenção a esses elementos históricos e ao contexto atual em que Birigui se encontra são essenciais para a elaboração de um projeto de reabilitação de seu conjunto ferroviário. A proposta busca a elaboração de espaços públicos coerentes às necessidades da população do bairro e do município. Além disso, trata-se de reintegrar esse espaço ao desenho da malha urbana, de modo a não ser visto mais como uma cicatriz ou um espaço obscuro, mas sim como um espaço de convivência e permanência dos moradores, assim como de preservação histórica
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O achado de ossificação heterotópica (OH) sobre cicatriz cirúrgica abdominal é um evento raro, mas que soma morbidade ao paciente. Manifesta-se por dor, endurecimento ou desconforto na cicatriz, levando a novas abordagens cirúrgicas. Relatamos um caso de OH no saco herniário incisional com o objetivo precípuo de chamar a atenção para o potencial "totipotente" do fibroblasto, já que sua íntima relação com a OH é inegável. A partir dessa prerrogativa, qualquer forma de tratamento das hérnias incisionais deveria associar o reparo tecidual ao uso de prótese (tela), para enriquecê-lo com os fibroblastos e seus fatores de crescimento celular do próprio paciente, todos autólogos e prontos para uso. A tática é oferecer uma abordagem combinada ou mista, com menores chances de recidiva na correção dessas afecções.
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En este artículo se establece -poniendo en evidencia ciertos lugares comunes de la crítica, entendiendo que la cuestión del imaginario resulta siempre inseparable de la cuestión del poder (sobre todo del interpretativo) y sosteniendo que tanto las narrativas canónicas como los sistemas simbólicos traman a la sociedad configurando y posicionando a hombres y a mujeres en formas diferenciadas dentro del texto social y del contexto literario- la necesidad imperativa de una crítica literaria feminista. Se propone, entonces, una re-visión de esta tradición desde nuestro contexto y se reclama la lectura, en el campo de la representación y de la crítica, del conflicto que se relaciona con las construcciones de y sobre la diferencia entre los sexos. Como muchas lecturas feministas previas, ésta también va a denunciar que una gran parte de las teorías disponibles están construidas sobre narrativas masculinas del género o signadas por el contrato heterosexual. Es por esto que considerará indispensable no sólo construir un nuevo lenguaje del deseo de la crítica, sino mantener vigente la relación teoría-política para, así, poder llevar adelante un proceso de desarticulación -como intervención contra-hegemónica- y de rearticulación -como intervención hegemónica- discursiva. Con el fin de decodificar ciertas tensiones que se establecen entre textualidad y sexualidad, en este artículo se analizan algunos textos provenientes de la crítica queer y los estudios gay-lésbicos. A partir de esto se postula a la literatura y a la crítica como tecnologías del género (De Lauretis), se propone como herramienta (en una reformulación de la propuesta de Balderston) el concepto de -Cicatriz luminosa- y se defiende el ejercicio de una resistencia interpretativa que se oponga al sentido común creado en un determinado contexto social y textual
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En este artículo se establece -poniendo en evidencia ciertos lugares comunes de la crítica, entendiendo que la cuestión del imaginario resulta siempre inseparable de la cuestión del poder (sobre todo del interpretativo) y sosteniendo que tanto las narrativas canónicas como los sistemas simbólicos traman a la sociedad configurando y posicionando a hombres y a mujeres en formas diferenciadas dentro del texto social y del contexto literario- la necesidad imperativa de una crítica literaria feminista. Se propone, entonces, una re-visión de esta tradición desde nuestro contexto y se reclama la lectura, en el campo de la representación y de la crítica, del conflicto que se relaciona con las construcciones de y sobre la diferencia entre los sexos. Como muchas lecturas feministas previas, ésta también va a denunciar que una gran parte de las teorías disponibles están construidas sobre narrativas masculinas del género o signadas por el contrato heterosexual. Es por esto que considerará indispensable no sólo construir un nuevo lenguaje del deseo de la crítica, sino mantener vigente la relación teoría-política para, así, poder llevar adelante un proceso de desarticulación -como intervención contra-hegemónica- y de rearticulación -como intervención hegemónica- discursiva. Con el fin de decodificar ciertas tensiones que se establecen entre textualidad y sexualidad, en este artículo se analizan algunos textos provenientes de la crítica queer y los estudios gay-lésbicos. A partir de esto se postula a la literatura y a la crítica como tecnologías del género (De Lauretis), se propone como herramienta (en una reformulación de la propuesta de Balderston) el concepto de -Cicatriz luminosa- y se defiende el ejercicio de una resistencia interpretativa que se oponga al sentido común creado en un determinado contexto social y textual
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En este artículo se establece -poniendo en evidencia ciertos lugares comunes de la crítica, entendiendo que la cuestión del imaginario resulta siempre inseparable de la cuestión del poder (sobre todo del interpretativo) y sosteniendo que tanto las narrativas canónicas como los sistemas simbólicos traman a la sociedad configurando y posicionando a hombres y a mujeres en formas diferenciadas dentro del texto social y del contexto literario- la necesidad imperativa de una crítica literaria feminista. Se propone, entonces, una re-visión de esta tradición desde nuestro contexto y se reclama la lectura, en el campo de la representación y de la crítica, del conflicto que se relaciona con las construcciones de y sobre la diferencia entre los sexos. Como muchas lecturas feministas previas, ésta también va a denunciar que una gran parte de las teorías disponibles están construidas sobre narrativas masculinas del género o signadas por el contrato heterosexual. Es por esto que considerará indispensable no sólo construir un nuevo lenguaje del deseo de la crítica, sino mantener vigente la relación teoría-política para, así, poder llevar adelante un proceso de desarticulación -como intervención contra-hegemónica- y de rearticulación -como intervención hegemónica- discursiva. Con el fin de decodificar ciertas tensiones que se establecen entre textualidad y sexualidad, en este artículo se analizan algunos textos provenientes de la crítica queer y los estudios gay-lésbicos. A partir de esto se postula a la literatura y a la crítica como tecnologías del género (De Lauretis), se propone como herramienta (en una reformulación de la propuesta de Balderston) el concepto de -Cicatriz luminosa- y se defiende el ejercicio de una resistencia interpretativa que se oponga al sentido común creado en un determinado contexto social y textual
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Reconhecendo, a partir da constatação empírica, a multiplicidade de escolhas de crenças no Mundo e em particular na periferia urbana paulistana, reconhecemos, também, a emergência criativa de novas possibilidades de crer e não crer. Tal amplitude não apenas aponta para o crer (segundo as ofertas de um sem número de religiões) e o não crer (ateu e agnóstico), mas para uma escolha que poderia vir a ser silenciada e esquecida, neste binômio arcaico e obsoleto, quando alguém se dá à liberdade crer sem ter religião. Reconhecer interessadamente os sem-religião nas periferias urbanas paulistanas é dar-se conta das violências a que estes indivíduos estão submetidos: violência econômica, violência da cidadania (vulnerabilidade) e proveniente da armas (grupos x Estado). Tanto quanto a violência do esquecimento e silenciamento. A concomitância espaço-temporal dos sem-religião nas periferias, levou-nos buscar referências em teorias de secularização e de laicidade, e, a partir destas, traçar uma história do poder violento, cuja pretensão é a inelutabilidade, enquanto suas fissuras são abertas em espaços de resistências. A história da legitimação do poder que se quer único, soberano, de caráter universal, enquanto fragmenta a sociedade em indivíduos atomizados, fragilizando vínculos horizontais, e a dos surgimentos de resistências não violentas questionadoras da totalidade trágica, ao reconhecer a liberdade de ser com autonomia, enquanto se volta para a produção de partilha de bens comuns. Propomos reconhecer a igual liberdade de ser (expressa na crença da filiação divina) e de partilhar o bem comum em reconhecimentos mútuos (expressa pela ação social), uma expressão de resistência não violenta ao poder que requer a igual abdicação da liberdade pela via da fragmentação individualizante e submissão inquestionável à ordem totalizante. Os sem-religião nas periferias urbanas, nossos contemporâneos, partilhariam uma tal resistência, ao longo da história, com as melissas gregas, os profetas messiânicos hebreus, os hereges cristãos e os ateus modernos, cuja pretensão não é o poder, mas a partilha igual da liberdade e dos bens comuns. Estes laicos, de fato, seriam agentes de resistências de reconhecimento mútuos, em espaços de multiplicidade crescente, ao poder violento real na história.
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No romance O Idiota, Dostoiévski cria, por meio do príncipe Míchkin, uma personagem com as características do Cristo. Sabe-se que a Bíblia, principalmente o Novo Testamento, acompanhou o escritor desde sua infância até o momento de sua morte. O primeiro capítulo, dedicado ao referencial teórico da pesquisa, lida com o universo da linguagem. Tanto o texto literário quanto a literatura bíblica procedem do mito. Neste sen-tido, religião e literatura se tocam e se aproximam. O segundo capítulo foi escrito na intenção de mostrar como o Cristo e os Evangelhos são temas, motivos e imagens recorrentes na obra de Dostoiévski. A literatura bíblica está presente, com mais ou menos intensidade, em diversas das principais obras do escritor russo e não somente em O Idiota. A hipótese de que Dostoiévski cria um Cristo e um Evangelho por meio de O Idiota é demonstrada na análise do romance, no terceiro capítulo. A tese proposta é: Dostoiévski desenvolve um evangelho literário, por meio de Míchkin, misto de um Cristo russo, ao mesmo tempo divino e humano, mas também idiota e quixotesco. Na dinâmica intertextual entre os Evangelhos bíblicos e O Idiota, entre Cristo e Míchkin, a literatura e o sagrado se revelam, como uma presença divina. Nas cenas e na estruturação do enredo que compõe o romance, Cristo se manifesta nas ações de Míchkin, na luz, na beleza, mas também na tragicidade de uma trajetória deslocada e antinômica. O amor e a compaixão ganham forma e vida na presen-ça do príncipe, vazio de si, servo de todos.