998 resultados para Ciência Filosofia


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A presente tese tem por objetivo o exame da natureza explicativa do princpio de seleo natural (PSN) na Origem das Espcies de Charles Darwin, enquanto tal princpio exibe uma natureza teleolgica, como ponto de articulao entre suas dimenses metafsica e epistemolgica. A motivao inicial para este estudo encontrou-se num interesse mais profundo pela questo da "racionalidade", atravs do exame das relaes entre ciência e no-ciência provocada pelo reacender-se das discusses sobre evolucionismo versus criacionismo, nas escolas norte-americanas na dcada de 80. Todavia, uma detida leitura da Origem e o rastreamento de seu questionamento na trajetria intelectual de Darwin buscando empreender uma anlise cuidadosa da teoria darwiniana como exigncia prvia quele exame mostrou-se, por si s, filosoficamente to rica e absorvente, que direcionou a essa anlise todos os esforos da presente tese. De imediato, o carter multifactico dos padres explicativos e das estratgias argumentativas encontradas na elaborao e defesa da teoria apresentada por Darwin na Origem das Espcies indicava a relevncia de uma anlise de PSN para a histria e filosofia da ciência. De sua leitura igualmente aflorava uma nova abordagem para a questo teleolgica, tema instigante nos questionamentos contemporneos. O exame ento empreendido teve, entre seus pressupostos orientadores, quatro pontos-chave: (1) a percepo do mtuo remetimento da Histria e da Filosofia da Ciência para a elucidao da natureza da produo cientfica, partilhando certas idias bsicas das anlises feitas por Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Imre Lakatos, entre outros, e, sobretudo, seu reconhecimento do papel do ncleo metafsico presente no questionamento cientfico; (2) a busca de uma compreenso contextualizadora da estrutura lgico-conceitual em que se insere a funo e sentido do princpio a ser investigado, (a) privilegiando o contexto "interno" da obra e do desenvolvimento do pensamento de Darwin, mas buscando o contraponto esclarecedor em seu contexto "externo" e (b) construindo um referencial de anlise emergente da estrutura contextual; (3) a visualizao de uma relao todo-parte de mtuo suporte na estruturao da integridade contextual, constituindo uma tessitura tipo rede, em que a clarificao das partes, considerada sua posio no todo, faz avanar a inteligibilidade desse e confere-lhe sustentao, a qual, em troca, reverte em clarificao e fortalecimento das partes; (4) a busca de um novo enfoque da teleologia, numa nova perspectiva das relaes explicativas e causais, pelo exame das bases metafsicas e epistemolgicas da questo poca de Darwin e de tematizaes e ambigidades que permeiam o seu tratamento contemporaneamente. luz de tais pressupostos, o fio condutor de trabalho a anlise da Origem das Espcies, em sua 6. edio inglesa (a ltima revisada pelo prprio Darwin), buscando complementar as requeridas elucidaes, sobretudo no que concerne a certos pressupostos do pensamento de Darwin, nas obras e textos que perfazem sua trajetria intelectual (dirio da viagem a bordo do Beagle, Notebooks 1836-1844, Ensaios de 1842 e 1844, o longo manuscrito de 1856-1858, correspondncia) at a exposio madura de seu pensamento na Origem. Assim procedendo, o exame da natureza explicativa de PSN parte (I Parte) de uma leitura da Origem das Espcies como uma histria da Natureza, constituindo o contexto no qual cabe dimensionar a funo e sentido de PSN como a parte privilegiada da argumentao/narrativa da Origem como um todo (captulo 1). Desse modo, a clarificao de PSN, encerrando a idia mestra de que as espcies na Natureza originamse umas de outras por seleo natural, demanda a inteligibilidade e integrao provida por esse princpio ao contexto da obra, ao "um longo argumento" em sua integridade, e essa inteligibilidade reverte em clarificao do prprio princpio. Nesse sentido, a ateno estrutura argumentativa/narrativa da Origem permite ver como as partes desse argumento/os captulos da narrativa estruturam-se, fugindo s rotulaes usuais de um modelo "indutivo" ou "dedutivo", e constituindo, antes, uma rede argumentativa, em que os avanos, a seqncia dos captulos, leva a retomadas, a uma nova inteligibilidade das etapas/captulos anteriores, fortalecendo, na integridade desse movimento, as bases para novos avanos e crescentes explicitaes e fortalecimento de sua sustentao. A ateno a esse movimento argumentativo leva igualmente a uma anlise conceitual de "PSN" e "Natureza", ao longo da obra. Para tanto, procede-se a uma cuidadosa anlise lgicosemntica da ocorrncia desses conceitos no texto (captulos 2 e 3, respectivamente), encontrando na viso de Natureza como "luta pela existncia" um ponto privilegiado para a explorao de sua articulao. A anlise realizada na primeira parte revela a natureza epistemolgica e metafsica de PSN em sua condio explicativa e permite colocar a peculiar relao que se estabelece entre PSN (parte) e Natureza (todo) em termos de uma viso teleolgica. No entanto, um aprofundamento desse ponto pede, antes (II parte), um exame mais detido dos conceitos de "explicao" e de "causa" na perspectiva darwiniana. Buscando uma compreenso contextualizadora, o contraponto "externo" ao contexto da Origem balizado pelo enfoque dos padres de cientificidade encontrados nas filosofias da ciência de John Herschel, William Whewell e Stuart Mill (captulo 4). A construo de um referencial "interno", ponto a ser enfatizado, parte da anlise lgico-conceitual do uso de "explicao", "causa" e cognatos feito no texto, levando, atravs de sucessivos refinamentos de anlise, a uma ampliao e aprofundamento do elenco inicial de significaes, de modo a determinar compreensivos focos orientadores de anlise e identificar dimenses fundamentais do esforo explicativo darwiniano (captulos 5, 6, 7, 8, 9). A explorao epistemolgica conduzida na segunda parte fornece o instrumento analtico que permite retomar a colocao inicial da funo e sentido de PSN em suas relaes com o conceito de Natureza, projetando a indagao epistemolgica no mbito da especulao metafsica. Essa dupla dimenso de PSN pode ento ser focalizada, tratando-se agora da articulao do epistemolgico e do metafsico, presente na natureza explicativa de PSN - e o fazendo enquanto PSN exibe uma natureza teleolgica (III Parte). Cabe, inicialmente, estabelecer, face ao exame realizado na segunda parte, os alcances e limites dos nveis e padres explicativos e das estratgias argumentativas darwinianas, mostrando sua "novidade" e seu carter multifactico (captulo 10), a fim de compreender o escopo explicativo de PSN. Esse escopo, por sua vez, cabe v-lo concretizado em sua funo explicativa, atravs da reconstruo de argumentos-chave da Origem e representativos de seus diferentes nveis explicativos (captulo 11). Assim visto, o poder explicativo de PSN pode ser compreendido como sendo estabelecido em duas grandes e mutuamente remissivas etapas: em sua fundamentao, como um princpio da Natureza, e em sua justificao, pelo seu poder explicativo operando em diferentes nveis e assim viabilizando empiricamente a viso de Natureza que lhe serve de fundamento (captulo 12). Desse modo, a dimenso epistemolgica de PSN, tornando o que ocorre na Natureza inteligvel como objeto de conhecimento, operacionaliza a dimenso metafsica, ou seja, a viso do prprio "ser" da Natureza que lhe serve de fundamento - PSN a Natureza no exerccio de seu poder, a Natureza (concebida como sistema que recebe suas cores em termos de "luta pela existncia") atualizada. Em ambas dimenses explicativas, PSN exibe uma natureza teleolgica, enquanto d lugar a explicaes telelgicas e apresenta-se como princpio teleologicamente fundado, abrindo o caminho a um novo enfoque da questo teleolgica, redimensionando o tratamento de muitas das ambiguidades encontradas na problematizao contempornea dessa questo.

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A Fundao Estadual de Amparo Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS) o rgo do governo responsvel pelo financiamento de projetos de pesquisa cientfica e tecnolgica e est buscando justificar perante a sociedade estes investimentos, apresentando seus resultados e obtendo informaes para auxiliar na orientao de polticas pblicas de Ciência e Tecnologia (C&T). A presente dissertao visa a propor um grupo de indicadores que permita identificar os resultados de pesquisas e que auxilie s Fundaes de Amparo Pesquisa, em especial FAPERGS, na composio de seu sistema de avaliao institucional. Para tanto, foram estudados sete projetos cujos resultados visam melhoria e preservao do meio ambiente e verificados os resultados das pesquisas e seus impactos de inovao, sociais e de meio ambiente. O quadro de indicadores proposto, foi testado nos projetos e julgado por juzes, segundo critrios de validade, confiana, viabilidade, mensurabilidade, abrangncia e relevncia. Como concluso, mostrou-se adequado para a avaliao dos casos considerados e suscetvel de aprimoramento, a partir do estudo de um nmero maior e de diferentes tipos de projetos financiados por instituies de fomento pesquisa.

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A escola tem sido a principal instituio encarregada tanto da formao e da constituio do sujeito e da sociedade moderna, quanto da divulgao do conhecimento e da cultura. Atualmente, vem se considerando que no mais somente a escola que faz isso. No caso do ensino de Ciências, os museus so considerados uma destas instituies. Freqentemente, estes museus ensinam muito mais que somente o conhecimento cientfico. O objetivo deste trabalho analisar os ensinamentos produzidos no Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul MCT-PUCRS, o qual se caracteriza principalmente pela qualidade das instalaes e materiais expostos e pela interatividade que proporciona aos visitantes. Nessa anlise, considero dois aspectos principais: a potica e a poltica envolvida nas exposies do MCT-PUCRS. Para isso, valho-me da vertente ps-estruturalista dos Estudos Culturais e do pensamento de Michel Foucault. Ao descrever e analisar vrias sees do Museu, demonstro que ele faz muito mais do que to somente ensinar ou divulgar conhecimentos cientficos aos visitantes. Meu argumento principal que, justamente graas sua qualidade e ao seu carter interativo, o MCT-PUCRS produz sujeitos bem adequados e conformados ao mundo de hoje.

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Formular hipteses a partir da observao e test-las atravs da experimentao caracteriza o mtodo baconiano; a formulao inicial explicitamente era fruto de um insight intuitivo, que Francis Bacon denominou induo. A objetividade est no incio do processo do conhecimento, basta o cientista deixar os fatos falarem por si enquanto l o livro aberto da natureza. Uma forma mais sofisticada de indutivismo faz distino entre contexto da descoberta e contexto da justificao para separar a questo de como as teorias cientficas so desenvolvidadas da questo de como test-las contra suas rivais. Karl Popper, discordando desta atitude, vai atribuir o primeiro ao acaso e para o segundo assumir uma epistemologia evolucionista. Popper, no acreditando na possibilidade da existncia de um critrio de verdade, prope um critrio de falsificabilidade. O conhecimento no se daria por generalizaes a partir da experincia, mas pela elaborao de conjeturas de alto contedo emprico que seriam submetidas lgica dedutiva (baseado no modus tolles) e experimentao. Popper, por influncia humeana, nega qualquer papel da induo na aquisio do conhecimento, que no partiria de percepes, de observaes nem do acmulo de dados ou fatos, mas sim de problemas. Na ausncia de critrio conclusivo de verdade emprica, s nos resta aprender com nossos erros. O progresso do conhecimento adviria da refutao de uma hiptese e da procura de outra com maior contedo explicativo e que pudesse evitar ao menos algumas das falhas da hiptese anterior. Este seria o critrio de progresso cientfico. O problema do falsificacionismo de Popper que o cientista no persegue teorias para provar que so falsas, mas teorias que procura demonstrar verdadeiras. Popper nos diz qual seria o ideal da ciência, mas no de como ela praticada. Tomados isoladamente, tanto o indutivismo como o mtodo hipottico-dedutivo so simplistas e ingnuos. O primeiro cego, no direciona a experimentao pela hiptese terica. O segundo tem direcionamento terico, mas no d conta da gerao da hiptese. Como ambos esto do mesmo lado na descrio da relao do experimento e da teoria, isto torna frutfera a interao destas duas vias. tematizada a teoria dos germes e a descoberta da penicilina como exemplo desta abordagem em biologia.

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O objetivo desta tese, "Economia Ecolgica da Emisso Antropognica de CO2 uma Abordagem Filosfico-Cientfica sobre a Efetuao Humana Alopoitica da Terra em Escala Planetria utiliza o novo paradigma ambiental, que inclui as seguintes ferramentas tericas originais: o uso da filosofia da efetuao de Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854); uso da teoria da auto-organizao para demonstrar a existncia de uma efetuao humana alopoitica de dimenses geolgico-planetrias; a articulao das implicaes filosfico-cientficas em uma via de recorrncia que inclui a contingncia, a reprocessualidade, a tica e a hermenutica, alm das abordagens e estratgias da interdisciplinaridade e da transdisicplinaridade; uma nova estrutura de abordagem emprica para a coleta de dados ambientais, a matriz de amostragem ambiental. Nesta abordagem proposto o posicionamento da Epistemologia Ambiental levando em conta o aspecto unificador sistmico, aps ser realizada a crtica das abordagens anarquista e ps-normal. A Economia posta como antiexemplo no qual a Economia tradicional (Clssica, Neoclssica e Ambiental) caracterizada como uma pseudociência, a partir das suas iluses, dogmas, mitos, fantasias, falcias, falsa "lei", falsas metforas e o abandono da tica e da viso sistmica, sendo suas afirmativas (falsas) comparadas com os resultados das demais ciências e com a situao real do planeta Terra, no incio do sculo XXI. O contraponto da Economia tradicional estabelecido pela apresentao dos conceitos de ecodesenvolvimento, sustentabilidade, estado-estvel, Economia Win-Win e o advento da Era Solar. A Economia Ecolgica constitui uma nova Ciência Ambiental, passando atualmente por um processo de corrupo economicista. A apresentao da efetuao humana alopoitica feita em duas principais escalas: a geolgica e planetria. A efetuao humana alopoitica registrada em escala geolgica inclui as seguintes formas: paisagstica, pedognica, litolgica, geodinmica (ssmica, vulcnica, hdrica, massiva e erosional), fossilfera e geoqumica. A efetuao humana alopoitica registrada em escala planetria apresenta as seguintes formas: climtica, asteride-meteortica, da biodiversidade, aeroespacial prxima e extraplanetria. A emisso antropognica de gs carbnico (CO2) na atmosfera terrestre, uma emisso difusa e sem fronteiras geogrficas, abordada com a Economia Ecolgica. A partir da identificao do aquecimento global com "a conta entrpica devida era da mquina" (Rifkin, 1992, p. 81) que a Natureza apresenta aos seres humanos, feita a tentativa de estabelecer um valor real do fenmeno, tendo como ferramenta cientfica a abordagem emergtica. A partir da constatao de que a efetuao humana alopoitica registrada at o final do sculo XX foi realizada de forma imprevista, imprudente e fora de controle e tendo em vista a emergncia da Era da Terra-Ptria, no incio do sculo XXI, e a necessidade de reorientar a globalizao em curso, alternativas para a busca da efetuao terrestre consciente so apresentadas. As principais alternativas propostas para resolver (ou encaminhar a resoluo) para a questo ambiental so as economicistas, da qualidade ambiental total (ISO 14000), as industrialistas (produo limpa, fator 4, fator 10 e capitalismo natural), as cientficas (geofisiologia e terraforming), da Economia Ecolgica e Economia Win-Win, as polticas (Poltica da Biosfera e Plano Marshall Global), as ticas, a utopia do reencantamento do Mundo e a proposta programtica da Agenda 21. As concluses e interpretaes desta tese provm dos resultados obtidos pelo clculo da emisso de CO2 para a atmosfera, sua emergia e valor real atravs de dados obtidos na Internet e da contextualizao destes nas propostas existentes para o encaminhamento da questo ambiental. A mitologia de caro na tentativa ambiciosa em se afastar da Natureza e o retorno ela na forma de uma Fnix de ressurgimento autopoitico, fornece a viso do reenvolvimento ambiental humano.

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Esta dissertao tem como objetivo defender a perspectiva da existncia de uma lgica por trs dos discursos retrico-persuasivos tal como inaugurada por McCloskey (1983) e Arida (1983) dentro da ciência econmica. O objetivo demonstrar a completa inadequao de se confundir filosoficamente retoricismo com irracionalismo, pois, de acordo com nossa interpretao, nem McCloskey nem Arida propem que no se deva utilizar critrios racionais para validao de teorias econmicas. O que eles propem, a nosso ver, que no se deva compreender a histria do pensamento econmico e a prpria teoria econmica atual como resultado de uma evoluo apodctica epistemologicamente mediada por evidncias (sejam elas empricas ou dedutivas). Isto, no entanto no implica numa desconsiderao da razo por completo a no ser que se entenda a razo por um prisma estritamente epistemolgico; o que no nos parece muito razovel. Sendo assim, procuramos desenvolver ao longo do trabalho argumentos filosficos oriundos das perspectivas hermenuticas de: Heidegger, Gadamar, Habermas e Ricoeur, alm do pragmatismo de Richard Rorty; com o intuito de relaciona-los com as perspectivas retricas de McCloskey e Arida; buscando, mais especificamente, demonstrar a fundamentao racional da perspectiva retrica em relao filosofia contempornea, e contribuir com o debate retrico na economia a partir de uma tentativa de aproximao entre as perspectivas hermenuticas mais especificamente de Habermas e Ricoeur e a perspectiva retrica de Arida; alm de procurar uma melhor explicao e relao entre a filosofia hermenutica-pragmtica, e a perspectiva da racionalidade prtica presente na nova retrica de Cham Perelman.

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Este artigo discute a questo da interdisciplinaridade no mbito da adjudicao a partir do carter ubquo da dimenso extra-jurdica na anlise das condies de validade das inferncias jurdicas. Nos processos adjudicatrios, essa ubiquidade implica outra, a saber, a dos argumentos empricos e tericos necessrios para suportar as pretenses de verdade que acompanham as premissas extra-jurdicas das inferncias jurdicas (i.e., das inferncias que estruturam os processos de adjudicao e fundamentam as decises dos casos concretos). Esses argumentos, juntamente com as referidas premissas e pretenses de verdade, so pontos de comutao que se encontram disponveis para transies do Direito Ciência e, posteriormente, para recepo e aproveitamento dos produtos das mais variadas disciplinas cientficas no mbito da argumentao jurdica. A pergunta a ser formulada, portanto, no se h maior ou menor espao para a interdisciplinaridade nos processos de adjudicao, pois ela estar a, sempre, potencialmente presente. O que devemos nos questionar quais seriam as implicaes de uma ampla atualizao desta potencialidade, i.e., da intensificao de um movimento de penetrao do conhecimento extra-jurdico (de procedncia cientfica) enquanto fundamento das decises de juzes e tribunais, normalmente s custas da confiana na capacidade racionalizadora do senso comum ou das mximas de experincia (Taruffo, 2001). Trata-se de um movimento que est ampliando-se e intensificando-se a toque de caixa e que j levou alguns autores a especularem inclusive sobre o eventual incio de um processo de des-diferenciao do Direito (Schauer, 2000). A conjectura apresentada no presente artigo certamente no vai to longe, mas ela sugere que esta possibilidade de circulao pelo interior da Ciência, inscrita nas inferncias normativas que suportam argumentativamente os processos decisrios voltados soluo de casos concretos no Direito, poder revelar-se problemtica da perspectiva da garantia das condies de justificao intersubjetiva de tais inferncias.

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This work analyses how the internationalization process reinforces the polarization existing in the scientific field of economics in Brazil and generates differentiation in terms of professional strategies on the part of the members of each pole. It also shows that some assets provided by participation in the international scientific network bring prestige to certain economists and give them legitimacy to hold high positions in the government.

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Este ensaio se prope confrontar a abordagem neoclssica da economia como ciência positiva, com a modelo keynesiano e a viso da economia dinmica de Kalecki, onde a economia tratada desde a perspectiva de uma ciência moral e normativa. Para tanto analisaremos as bases tericas de cada modelo, seus pressupostos, leis fundamentais e principais concluses. Dado o propsito didtico do texto nos preocupamos em tentar explicar os antecedentes, axiomas, leis e relaes funcionais de cada modelo, dando especial nfase s que surgem da crtica de postulados anteriores, pois admitimos que cada modelo incorpora valores, pressupostos e metodologia prpria, cuja crtica essencial para o avano da ciência. A economia neoclssica supe agentes racionais, informao completa e aes e resultados imediatos. Seu mtodo de anlise a otimizao com restries. O principio ordenador, necessrio e suficiente da atividade econmica, consiste no comportamento racional dos agentes. Este modelo tem sua concepo poltica e tica das relaes econmicas, consistente com seus pressupostos, o que fica patente, por exemplo, a propsito de sua teoria da distribuio da renda. Com a introduo de conceitos como: o tempo histrico; o caracter monetrio da produo; a preferncia pela liquidez; o comportamento subjetivo dos agentes; o predomnio da procura sobre a oferta; as expectativas e a incerteza em relao ao futuro, etc., a macroeconomia de Keynes consegue romper o paradigma anterior, do ajuste automtico dos mercados de acordo com um feedeback contnuo e estvel, capaz de garantir o equilbrio de pleno emprego. Embora a anlise keynesiana tivesse permitido a abordagem precisa de questes to importantes como: a natureza e as causas do desemprego; o papel da moeda e do crdito; a determinao dos juros; os condicionantes do investimento, etc., faltava ainda uma teoria dos preos, da distribuio e do ciclo econmico, no que o trabalho de M. Kalecki, certamente parece ter avanado. Este autor parte de um contexto cultural e ideolgico que lhe permite abordar sem entraves a natureza do capitalismo. Seu enfoque micro e macroeconmico integrado e est apoiado no pressuposto da concorrncia imperfeita. No universo keynesiano os mercados podem estar em equilbrio, mas no no de pleno emprego, j segundo Kalecki o ciclo econmico inevitvel. Em ambos os casos os mercados no so perfeitos e no tendem naturalmente para o equilbrio, o que justifica a ao reguladora do Estado, de acordo sua opo poltica e um cdigo de valores preestabelecido. de se imaginar que cada modelo de anlise esteja condicionado pelo conjunto de valores dominantes do momento, o que no invalida o caracter de ciência social da economia. Por exemplo, desde a perspectiva individualista da troca mercantil, a economia se apresenta com a metodologia de ciência pura, porm, levando em conta as relaes de classe social, uma ciência moral.

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Somos envolvidos ao longo de nossas vidas com as coisas do mundo numa relao direta com os nossos sentidos que emprestam significaes nossa existncia e, esto ligados ao nosso corpo, as percepes, aos sentimentos. Estamos envolvidos numa avassaladora estimulao visual que no desenvolve o olhar, mas condiciona para uma restrita percepo do mundo em que vivemos. Nossa lngua e nosso olfato se perdem nos gostos e odores quimicamente preparados. O tato se amortece nesta civilizao de plstico e, nosso ouvido anestesiado numa cacofonia diria. O processo de desenvolvimento do estsico ser um convite para a transformao do cotidiano a partir da sensibilizao construda nos pequenos gestos e expresso nas emoes sabidas pelo corpo, sentidas frente a beleza do mundo. Um novo olhar, subjetivado, vai alm da presena do sensvel que, educado pela estesia deflagrador de outros processos cognitivos que permitem singularizar o mundo tornando-o visvel para si e para os outros. Oportunizar a educao dos sentidos para a apreenso do mundo, frente a beleza e o prazer sentido nas coisas do cotidiano. Pensar o espao da esttica como uma indagao da experincia vivida e, como reflexo que possibilite a formao de um sentimento pessoal que oriente nossa ao no mundo. O objeto especfico deste trabalho ser o fator fundamental de todo o processo de comunicao: o sentido. Isto equivale dizer que, a vivncia em arte, nos instala na origem da inteligncia formadora do universo simblico e em reconhecer o que estes representam para ns no mundo. Trata-se pois, da busca por uma ciência que rena a ordem de uma racionalidade secular e a sbita intemprie de nossa origem. Prope-se, a descrever a formao do sentido e falar da gradual emergncia da capacidade de entender, ordenar e comunicar e, descrever a formao da cultura ou, se quisermos, o processo do esprito a partir da no uniformidade originria. Ser necessrio que nos disponhamos a um olhar transcendente, totalizante, tendo este um lugar ao mesmo tempo na origem, na durao e no fim deste espetculo que de todos os modos infinito, complexo.

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Este estudo prope um conjunto de indicadorespara avaliar impactos de projetos pblicos de desenvolvimento cientfico-tecnolgico realizados sob o arcabouo de programas de desenvolvimento regional. Os indicadores so baseados na proposta de desenvolvimento sustentvel. Parte-se da premissa de que os investimentos pblicos em ciência e tecnologia (C&T) so motivados pela crena no papel importante da inovao tecnolgica no desenvolvimento econmico. Em sociedades democrticas a probidade destes investimentos normalmente testada em avaliaes externas, baseadas em padres acadmicos, que habilitam polticos, acadmicos e empresas a melhorarem o desempenho dos projetos. No estudo de campo foi realizada avaliaode projetos do Plo de Modernizao Tecnolgica da Serra, o qual integra o Programa de Apoio aos Plos de Inovao Tecnolgica do Rio Grande do Sul, Brasil. Os projetos analisadosforam: Agroindstria-escolapara o desenvolvimentode pesquisa e profissionalizao do pequeno produtor rural, Plo oleoqumico de plantas aromticas e medicinais e Rede de cooperao da indstria de matrizes. A avaliao considerou impactos econmicos, sociais, ambientais e institucionais, observados nas dimenses do desenvolvimentosustentvel.A pesquisa baseou-se em consulta a documentos, visitas s propriedades rurais e s empresas e entrevistascom as partes interessadas (governo, pesquisadores, representantes da indstria, acadmicos e polticos). O estudo demonstrou que os impactos econmicos dos projetos foram mais evidentes, principalmente porque o alvo explcito do Programa era a reconverso dos setores econmicos tradicionais. Os impactos sociais foram vistos em indicadores de melhor qualidade de vida e de condies de trabalho e de oportunidades de formao educacional Os impactos ambientais mostraram ampliao da consciência ambiental entre agricultores dos projetos de agroindstria, embora isso se deva tambm regulamentao legal para implantao das empresas. Os membros do projeto da rede de cooperao da indstria de matrizes mostraram que a postura deles quanto questo ambiental poderia ser melhorada por meio de instruo e de novos incentivos. Os impactos institucionais foram visveis na melhoria do potencial da universidade e de instituies similares para contribuir com o desenvolvimentoregional e na confiana nos investimentos em C&Tpara melhorar a competitividadelocal.