37 resultados para Santa Rita da Barreira - PA
Resumo:
Este trabalho analisa as relaes sociais, polticas e culturais de um grupo rural auto-definido e identificado como quilombola. O objetivo entender como esses agentes sociais elaboram suas prticas cotidianas e desenvolvem formas associativas no povoado de Santo Antonio, no municpio de Concrdia no estado do Par. Com esta anlise da atuao de homens e mulheres nesse processo o interesse tambm de compreender as interaes entre parentesco, gnero e identidade como constitutivas desse sistema social.
Resumo:
Estudos sobre sade mental na adolescncia destacam este tema como questo relevante, pois essa faixa etria, alm de constituir-se como uma grande parcela da populao que precisa e no procura atendimento, identificada como um grupo etrio vulnervel e de risco. A famlia e a escola tm sido consideradas como fatores de proteo sade mental de adolescentes. Sendo assim, precisa-se pensar em formas de interveno mais eficazes, considerando o contexto familiar, cultural e social destes indivduos. O objetivo do estudo foi investigar percepes sobre sade e doena mental de adolescentes de escola pblica e de escola privada na cidade de Belm-PA, bem como as principais redes de apoio e estratgias de cuidado utilizadas pelos adolescentes. Realizou-se um estudo transversal, do tipo quantitativo, no qual participaram 60 adolescentes, de ambos os sexos, e seus cuidadores. Os adolescentes tinham idades entre 12 a 17 anos, sendo 30 alunos de escola pblica, localizada em um bairro perifrico, e 30 de escola privada, localizada em um bairro central, na cidade de Belm-PA. Os cuidadores eram do sexo feminino, com idade entre 25 a 57 anos. Como instrumentos foram utilizados: roteiro de entrevista familiar, roteiro de entrevista com os coordenadores das escolas e questionrio sobre sade e doena mental e sobre servios de sade (verso para adolescente). Os resultados dos questionrios foram analisados preferencialmente pelo teste do Qui-quadrado e o teste G para amostras independentes. Todo o processamento estatstico foi realizado no software BioEstat verso 5.2. Os resultados obtidos nas entrevistas permitiram a anlise de aspectos socioeconmicos e de fatores de risco e de proteo na famlia dos adolescentes. Os resultados obtidos com os questionrios revelaram que as percepes dos adolescentes da escola pblica acerca da sade mental estavam associadas a no ser to sensvel/frgil e a pensar positivo, ser otimista. Na escola privada, estavam associadas a sentir-se equilibrado e ser algo muito importante. Quanto s percepes de doena mental, na escola pblica estavam relacionadas ao momento em que o corpo no est bem e a quando profissionais aconselham um tratamento; na escola privada, a ter sentimentos feridos e ser algo que no se percebe logo. Com relao origem das ideias sobre sade/doena mental, no houve real diferena entre os grupos. No que tange religio, houve discordncia apenas em relao a cura da doena mental. Como estratgia de enfrentamento, na escola pblica esta esteve relacionada a falar com algum sobre o problema enquanto na escola privada os adolescentes relataram que no procuravam ajuda. A me foi apontada como principal na busca de ajuda pelos adolescentes da escola pblica; na escola particular, a principal referncia foi o mdico da famlia. A principal barreira para os adolescentes da escola pblica no acesso ao servio de sade mental foi no saber o que o psiclogo/psiquiatra vai fazer com ele, e na escola privada foi no querer ser gozado/caoado. Nos dois grupos, os principais problemas em sade mental relatados foram problemas na escola e de comportamento. Os adolescentes de escola privada responderam que somente s vezes sentem-se sozinhos e felizes, enquanto na escola pblica, os adolescentes afirmaram que sempre estiveram de bom humor e satisfeitos com a vida. Discute-se a necessidade de promover fatores de proteo sade mental de adolescentes.
Resumo:
O Programa de Hepatopatias do Hospital da Fundao Santa Casa de Misericrdia do Par surgiu pela necessidade de prestar assistncia a hepatopatas na regio amaznica priorizando assistncia qualificada, identificao das etiologias, seguimento clnico, e tratamento direcionado. Este trabalho visa descrever dados relativos epidemiologia clnica, fatores etiolgicos e anlise histopatolgica. Dos 1469 pacientes avaliados, atravs de exames clnicos, laboratoriais, endoscpicos e de imagem e/ou histopatolgico, foram considerados hepatopatas crnicos 935 (63,6%). Nesta casustica, a mdia de idade foi 50 anos, 666 (71,2%) do sexo masculino e maior procedncia de Belm. Os agentes etiolgicos mais prevalentes foram alcoolismo (53,7%) e hepatites virais (39,1%). Bipsia heptica realizada em 403/935 (43,1%), demonstrou hepatite crnica (34%) e cirrose (34%) na maioria das amostras. Conclui-se, portanto, que a doena heptica crnica na regio mais prevalente no sexo masculino, sendo o alcoolismo a principal etiologia e mais da metade dos casos se encontravam em fase avanada no momento do diagnstico.
Resumo:
O depsito mineral de Sapucaia, situado no municpio de Bonito, regio nordeste do Estado do Par, parte de um conjunto de ocorrncias de fosfatos de alumnio laterticos localizados predominantemente ao longo da zona costeira dos estados do Par e Maranho. Estes depsitos foram alvos de estudo desde o incio do sculo passado, quando as primeiras descries de bauxitas fosforosas foram mencionadas na regio NW do Maranho. Nas ltimas dcadas, com o crescimento acentuado da demanda por produtos fertilizantes pelo mercado agrcola mundial, diversos projetos de explorao mineral foram iniciados ou tiveram seus recursos ampliados no territrio brasileiro, dentre estes destaca-se a viabilizao econmica de depsitos de fosfatos aluminosos, como o de Sapucaia, que vem a ser o primeiro projeto econmico mineral de produo e comercializao de termofosfatos do Brasil. Este trabalho teve como principal objetivo caracterizar a geologia, a constituio mineralgica e a geoqumica do perfil latertico alumino-fosftico do morro Sapucaia. A macrorregio abrange terrenos dominados em sua maioria por rochas pr-cambrianas a paleozicas, localmente definidas pela Formao Pirabas, Formao Barreiras, Latossolos e sedimentos recentes. A morfologia do depsito caracterizada por um discreto morrote alongado que apresenta suaves e contnuos declives em suas bordas, e que tornam raras as exposies naturais dos horizontes do perfil latertico. Desta forma, a metodologia aplicada para a caracterizao do depsito tomou como base o programa de pesquisa geolgica executada pela Fosfatar Minerao, at ento detentora dos respectivos direitos minerais, onde foram disponibilizadas duas trincheiras e amostras de 8 testemunhos de sondagem. A amostragem limitou-se extenso litolgica do perfil latertico, com a seleo de 44 amostras em intervalos mdios de 1m, e que foram submetidas a uma rota de preparao e anlise em laboratrio. Em consonncia com as demais ocorrncias da regio do Gurupi, os fosfatos de Sapucaia constituem um horizonte individualizado, de geometria predominantemente tabular, denominado simplesmente de horizonte de fosfatos de alumnio ou crosta aluminofosftica, que varia texturalmente de macia a cavernosa, porosa a microporosa, que para o topo grada para uma crosta ferroalumino fosftica, tipo pele-de-ona, compacta a cavernosa, composta por ndulos de hematita e/ou goethita cimentados por fosfatos de alumnio, com caractersticas similares aos do horizonte de fosfatos subjacente. A crosta aluminofosftica, para a base do perfil, grada para um espesso horizonte argiloso caulintico com nveis arenosos, que repousa sobre sedimentos heterolticos intemperizados de granulao fina, aspecto argiloso, por vezes serictico, intercalados por horizontes arenosos, e que no possuem correlao aparente com as demais rochas aflorantes da geologia na regio. Aproximadamente 40% da superfcie do morro encoberta por colvio composto por fragmentos mineralizados da crosta e por sedimentos arenosos da Formao Barreiras. Na crosta, os fosfatos de alumnio esto representados predominantemente pelo subgrupo da crandallita: i) srie crandallita-goyazita (mdia de 57,3%); ii) woodhouseta-svanbergita (mdia de 15,8%); e pela iii) wardita-millisita (mdia de 5,1%). Associados aos fosfatos encontram-se hematita, goethita, quartzo, caulinita, muscovita e anatsio, com volumes que variam segundo o horizonte latertico correspondente. Como os minerais pesados em nvel acessrio a raro esto zirco, estaurolita, turmalina, anatsio, andalusita e silimanita. O horizonte de fosfatos, bem como a crosta ferroalumnio-fosftica, mostra-se claramente rica em P<sub>2</sub>O<sub>5</sub>, alm de Fe<sub>2</sub>O<sub>3</sub>, CaO, Na<sub>2</sub>O, SrO, SO<sub>3</sub>, Th, Ta e em terras-raras leves como La e Ce em relao ao horizonte saproltico. Os teores de SiO<sub>2</sub> so consideravelmente elevados, porm muito inferiores aqueles identificados no horizonte argiloso sotoposto. No perfil como um todo, observa-se uma correlao inversa entre SiO<sub>2</sub> e Al<sub>2</sub>O<sub>3</sub>; entre Al<sub>2</sub>O<sub>3</sub> e Fe<sub>2</sub>O<sub>3</sub>, e positiva entre SiO<sub>2</sub> e Fe<sub>2</sub>O<sub>3</sub>, que ratificam a natureza latertica do perfil. Diferente do que esperado para lateritos bauxticos, os teores de P<sub>2</sub>O<sub>5</sub>, CaO, Na<sub>2</sub>O, SrO e SO<sub>3</sub> so fortemente elevados, concentraes consideradas tpicas de depsitos de fosfatos de alumnio ricos em crandallita-goyazita e woodhousetasvanbergita. A sucesso dos horizontes, sua composio mineralgica, e os padres geoqumicos permitem correlacionar o presente depsito com os demais fosfatos de alumnio da regio, mais especificamente Jandi (Par) e Traura (Maranho), bem como outros situados alm do territrio brasileiro, indicando portanto, que os fosfatos de alumnio de Sapucaia so produtos da gnese de um perfil latertico maturo e completo, cuja rocha fonte pode estar relacionada a rochas mineralizadas em fsforo, tais como as observadas na Formao Pimenteiras, parcialmente aflorante na borda da Bacia do Parnaba. Possivelmente, o atual corpo de minrio integrou a paleocosta do mar de Pirabas, uma vez que furos de sondagem s proximidades do corpo deixaram claro a relao de contato lateral entre estas unidades.
Resumo:
As rochas vulcnicas da rea sul de So Flix do Xingu, estado do Par, esto inseridas no contexto geolgico da provncia geocronolgica Amaznia Central, sudeste do crton Amaznico. Estas rochas so dominantemente relacionadas Formao Sobreiro e, subordinadamente, Formao Santa Rosa, ambas pertencentes ao Grupo Uatum de idade Paleoproterozoica. A Formao Sobreiro apresenta trs fcies: fcies de fluxo de lavas subarea de composio subalcalina; fcies de fluxo de lavas subarea de composio calcioalcalina a shoshontica; fcies vulcanoclstica subarea. As rochas da Formao Santa Rosa so enquadradas em uma nica fcies denominada fcies de fluxo de lavas subarea. Na Formao Sobreiro so encontrados andesitos baslticos, andesitos, traquiandesitos, traquitos, tufos de cristais flsicos, lapili-tufos e brechas polimticas. Os litotipos da Formao Santa Rosa so riolitos. Os dados geoqumicos mostram que os contedos de SiO2 das rochas da Formao Sobreiro variam de 52,14 a 69,21% e as razes K2O/Na2O de 0,16 a 1,62. Por outro lado, os vulcanitos da Formao So Rosa formam uma srie evoluda com teores de SiO2 entre 72,27 e 77,14% e razes K2O/Na2O entre 1,50 e 2,12. A Formao Sobreiro tem carter essencialmente calcioalcalino, discretamente transicional de calcioalcalino a shoshontico, composio metaluminosa a fracamente peraluminosa e assinatura tectnica de ambiente de arco vulcnico. A Formao Santa Rosa apresenta composio peraluminosa a fracamente metaluminosa, assinatura tipo A e afinidade tectnica intraplacas. As rochas vulcnicas da rea sul apresentam perfeita correlao petrogrfica, geoqumica e tectnica com os vulcanitos da rea oeste/sudoeste de So Flix do Xingu.
Resumo:
As formaes Sobreiro e Santa Rosa so resultado de intensas atividades vulcnicas paleoproterozoicas na regio de So Flix do Xingu (PA), SE do Crton Amaznico. A Formao Sobreiro composta por rochas de fcies de fluxo de lava andestica, com dacito e riodacito subordinados, alm de rochas que compem a fcies vulcanoclstica, caracterizadas por tufo, lapilli-tufo e brecha polimtica macia. Essas rochas exibem fenocristais de clinopiroxnio, anfiblio e plagioclsio em uma matriz microltica ou traqutica. O clinopiroxnio classificado predominantemente como augita, com diopsdio subordinado, e apresenta caractersiticas geoqumicas de minerais gerados em rochas de arco magmtico. O anfiblio, representado pela magnesiohastingsita, foi formado sob condies oxidantes e apresenta texturas de desequilbrio, como bordas de oxidao vinculadas degaseificao por alvio de presso. As rochas da Formao Santa Rosa foram extravasadas em grandes fissuras crustais de direo NE-SW, tm caractersticas de evoluo polifsica e compem uma fcies de fluxo de lava rioltica e riodactica e uma fcies vulcanoclstica de ignimbritos, lapilli-tufos, tufos de cristais flsicos e brechas polimticas macias. Diques mtricos e stocks de prfiros granticos e granitoides equigranulares completam essa sute. Fenocristais de feldspato potssico, plagioclsio e quartzo dispersos em matriz de quartzo e feldspato potssico intercrescidos ocorrem nessas rochas. Por meio de anlises qumicas pontuais dos fenocristais em microssonda eletrnica, foram estimadas as condies de presso e temperatura de sua formao, sendo que o clinopiroxnio das rochas intermedirias da Formao Sobreiro indica profundidade de formao varivel entre 58 e 17,5 km (17,5 - 4,5 kbar), a temperaturas entre 1.294 e 1.082 C, enquanto o anfiblio cristalizou-se entre 28 e 15 km (7,8 - 4,1 kbar), o que sugere uma evoluo polibrica. Assim, prope-se um modelo de gerao de magma basltico hidratado com base na fuso parcial de cunha mantlica e no acmulo na crosta inferior em uma zona quente, a partir da qual os magmas andesticos e dacticos so formados pela assimilao de crosta continental e cristalizao fracionada.
Resumo:
O artigo analisa a relao entre as polticas higienistas que vigoraram na cidade de Belm ao final do sculo XIX e a expanso das atividades da Santa Casa de Misericrdia do Par. Considerada uma das primeiras instituies hospitalares da ento Provncia do Gro-Par, a Irmandade, alm de seu hospital prprio, administrou diversos outros estabelecimentos de sade na capital. O estudo de seu deslocamento fsico permite o desenho de trs ncleos da Sade em Belm: Pioneiro, de Expanso e da Santa Casa, que reforam os vetores de crescimento da cidade. A expanso de suas atividades se configura como ampliao da Misericrdia para atender os desvalidos e enfermos, que precede a instaurao de um sistema de sade pblica no Par.