25 resultados para Natureza da ciência
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Resumo:
O objetivo desta pesquisa foi investigar as concepes dos futuros professores de Fsica sobre a natureza da ciência e sua evoluo atravs de uma disciplina de Histria e Epistemologia da Fsica. A disciplina apresentou de forma explcita e em um ambiente de atividade colaborativa presencial e participativa as vises epistemolgicas de alguns dos principais filsofos da ciência do sculo XX. O estudo compe-se de quatro etapas distintas de anlise, cada uma delas com identidade prpria, uma vez que deram origem a quatro artigos independentes. A primeira etapa de anlise descreve a forma de implementao e as estratgias de ensino utilizadas na disciplina e apresenta uma anlise quantitativa complementar da evoluo das concepes dos futuros professores de Fsica. A segunda etapa apresenta uma narrativa do cotidiano de sala de aula atravs de um estudo de caso tipo etnogrfico que visou analisar as aes, falas, atividades, produes, opinies, crticas e sugestes da perspectiva dos atores envolvidos. A terceira faz uma anlise interpretativa das monografias produzidas pelos estudantes sobre as idias epistemolgicas estudadas ao longo da disciplina. A quarta etapa analisa as entrevistas realizadas com os estudantes alguns meses aps o trmino da disciplina. Os resultados sugerem que houve uma evoluo significativa das vises dos estudantes sobre a natureza da ciência e indicam a importncia de algumas mudanas nas vises, no enfoque e na profundidade das discusses. Tambm sugere que o mtodo colaborativo presencial e participativo contribui positivamente para tornar os futuros professores de Fsica mais reflexivos e crticos.
Resumo:
A presente tese tem por objetivo o exame da natureza explicativa do princpio de seleo natural (PSN) na Origem das Espcies de Charles Darwin, enquanto tal princpio exibe uma natureza teleolgica, como ponto de articulao entre suas dimenses metafsica e epistemolgica. A motivao inicial para este estudo encontrou-se num interesse mais profundo pela questo da "racionalidade", atravs do exame das relaes entre ciência e no-ciência provocada pelo reacender-se das discusses sobre evolucionismo versus criacionismo, nas escolas norte-americanas na dcada de 80. Todavia, uma detida leitura da Origem e o rastreamento de seu questionamento na trajetria intelectual de Darwin buscando empreender uma anlise cuidadosa da teoria darwiniana como exigncia prvia quele exame mostrou-se, por si s, filosoficamente to rica e absorvente, que direcionou a essa anlise todos os esforos da presente tese. De imediato, o carter multifactico dos padres explicativos e das estratgias argumentativas encontradas na elaborao e defesa da teoria apresentada por Darwin na Origem das Espcies indicava a relevncia de uma anlise de PSN para a histria e filosofia da ciência. De sua leitura igualmente aflorava uma nova abordagem para a questo teleolgica, tema instigante nos questionamentos contemporneos. O exame ento empreendido teve, entre seus pressupostos orientadores, quatro pontos-chave: (1) a percepo do mtuo remetimento da Histria e da Filosofia da Ciência para a elucidao da natureza da produo cientfica, partilhando certas idias bsicas das anlises feitas por Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Imre Lakatos, entre outros, e, sobretudo, seu reconhecimento do papel do ncleo metafsico presente no questionamento cientfico; (2) a busca de uma compreenso contextualizadora da estrutura lgico-conceitual em que se insere a funo e sentido do princpio a ser investigado, (a) privilegiando o contexto "interno" da obra e do desenvolvimento do pensamento de Darwin, mas buscando o contraponto esclarecedor em seu contexto "externo" e (b) construindo um referencial de anlise emergente da estrutura contextual; (3) a visualizao de uma relao todo-parte de mtuo suporte na estruturao da integridade contextual, constituindo uma tessitura tipo rede, em que a clarificao das partes, considerada sua posio no todo, faz avanar a inteligibilidade desse e confere-lhe sustentao, a qual, em troca, reverte em clarificao e fortalecimento das partes; (4) a busca de um novo enfoque da teleologia, numa nova perspectiva das relaes explicativas e causais, pelo exame das bases metafsicas e epistemolgicas da questo poca de Darwin e de tematizaes e ambigidades que permeiam o seu tratamento contemporaneamente. luz de tais pressupostos, o fio condutor de trabalho a anlise da Origem das Espcies, em sua 6. edio inglesa (a ltima revisada pelo prprio Darwin), buscando complementar as requeridas elucidaes, sobretudo no que concerne a certos pressupostos do pensamento de Darwin, nas obras e textos que perfazem sua trajetria intelectual (dirio da viagem a bordo do Beagle, Notebooks 1836-1844, Ensaios de 1842 e 1844, o longo manuscrito de 1856-1858, correspondncia) at a exposio madura de seu pensamento na Origem. Assim procedendo, o exame da natureza explicativa de PSN parte (I Parte) de uma leitura da Origem das Espcies como uma histria da Natureza, constituindo o contexto no qual cabe dimensionar a funo e sentido de PSN como a parte privilegiada da argumentao/narrativa da Origem como um todo (captulo 1). Desse modo, a clarificao de PSN, encerrando a idia mestra de que as espcies na Natureza originamse umas de outras por seleo natural, demanda a inteligibilidade e integrao provida por esse princpio ao contexto da obra, ao "um longo argumento" em sua integridade, e essa inteligibilidade reverte em clarificao do prprio princpio. Nesse sentido, a ateno estrutura argumentativa/narrativa da Origem permite ver como as partes desse argumento/os captulos da narrativa estruturam-se, fugindo s rotulaes usuais de um modelo "indutivo" ou "dedutivo", e constituindo, antes, uma rede argumentativa, em que os avanos, a seqncia dos captulos, leva a retomadas, a uma nova inteligibilidade das etapas/captulos anteriores, fortalecendo, na integridade desse movimento, as bases para novos avanos e crescentes explicitaes e fortalecimento de sua sustentao. A ateno a esse movimento argumentativo leva igualmente a uma anlise conceitual de "PSN" e "Natureza", ao longo da obra. Para tanto, procede-se a uma cuidadosa anlise lgicosemntica da ocorrncia desses conceitos no texto (captulos 2 e 3, respectivamente), encontrando na viso de Natureza como "luta pela existncia" um ponto privilegiado para a explorao de sua articulao. A anlise realizada na primeira parte revela a natureza epistemolgica e metafsica de PSN em sua condio explicativa e permite colocar a peculiar relao que se estabelece entre PSN (parte) e Natureza (todo) em termos de uma viso teleolgica. No entanto, um aprofundamento desse ponto pede, antes (II parte), um exame mais detido dos conceitos de "explicao" e de "causa" na perspectiva darwiniana. Buscando uma compreenso contextualizadora, o contraponto "externo" ao contexto da Origem balizado pelo enfoque dos padres de cientificidade encontrados nas filosofias da ciência de John Herschel, William Whewell e Stuart Mill (captulo 4). A construo de um referencial "interno", ponto a ser enfatizado, parte da anlise lgico-conceitual do uso de "explicao", "causa" e cognatos feito no texto, levando, atravs de sucessivos refinamentos de anlise, a uma ampliao e aprofundamento do elenco inicial de significaes, de modo a determinar compreensivos focos orientadores de anlise e identificar dimenses fundamentais do esforo explicativo darwiniano (captulos 5, 6, 7, 8, 9). A explorao epistemolgica conduzida na segunda parte fornece o instrumento analtico que permite retomar a colocao inicial da funo e sentido de PSN em suas relaes com o conceito de Natureza, projetando a indagao epistemolgica no mbito da especulao metafsica. Essa dupla dimenso de PSN pode ento ser focalizada, tratando-se agora da articulao do epistemolgico e do metafsico, presente na natureza explicativa de PSN - e o fazendo enquanto PSN exibe uma natureza teleolgica (III Parte). Cabe, inicialmente, estabelecer, face ao exame realizado na segunda parte, os alcances e limites dos nveis e padres explicativos e das estratgias argumentativas darwinianas, mostrando sua "novidade" e seu carter multifactico (captulo 10), a fim de compreender o escopo explicativo de PSN. Esse escopo, por sua vez, cabe v-lo concretizado em sua funo explicativa, atravs da reconstruo de argumentos-chave da Origem e representativos de seus diferentes nveis explicativos (captulo 11). Assim visto, o poder explicativo de PSN pode ser compreendido como sendo estabelecido em duas grandes e mutuamente remissivas etapas: em sua fundamentao, como um princpio da Natureza, e em sua justificao, pelo seu poder explicativo operando em diferentes nveis e assim viabilizando empiricamente a viso de Natureza que lhe serve de fundamento (captulo 12). Desse modo, a dimenso epistemolgica de PSN, tornando o que ocorre na Natureza inteligvel como objeto de conhecimento, operacionaliza a dimenso metafsica, ou seja, a viso do prprio "ser" da Natureza que lhe serve de fundamento - PSN a Natureza no exerccio de seu poder, a Natureza (concebida como sistema que recebe suas cores em termos de "luta pela existncia") atualizada. Em ambas dimenses explicativas, PSN exibe uma natureza teleolgica, enquanto d lugar a explicaes telelgicas e apresenta-se como princpio teleologicamente fundado, abrindo o caminho a um novo enfoque da questo teleolgica, redimensionando o tratamento de muitas das ambiguidades encontradas na problematizao contempornea dessa questo.
Resumo:
Formular hipteses a partir da observao e test-las atravs da experimentao caracteriza o mtodo baconiano; a formulao inicial explicitamente era fruto de um insight intuitivo, que Francis Bacon denominou induo. A objetividade est no incio do processo do conhecimento, basta o cientista deixar os fatos falarem por si enquanto l o livro aberto da natureza. Uma forma mais sofisticada de indutivismo faz distino entre contexto da descoberta e contexto da justificao para separar a questo de como as teorias cientficas so desenvolvidadas da questo de como test-las contra suas rivais. Karl Popper, discordando desta atitude, vai atribuir o primeiro ao acaso e para o segundo assumir uma epistemologia evolucionista. Popper, no acreditando na possibilidade da existncia de um critrio de verdade, prope um critrio de falsificabilidade. O conhecimento no se daria por generalizaes a partir da experincia, mas pela elaborao de conjeturas de alto contedo emprico que seriam submetidas lgica dedutiva (baseado no modus tolles) e experimentao. Popper, por influncia humeana, nega qualquer papel da induo na aquisio do conhecimento, que no partiria de percepes, de observaes nem do acmulo de dados ou fatos, mas sim de problemas. Na ausncia de critrio conclusivo de verdade emprica, s nos resta aprender com nossos erros. O progresso do conhecimento adviria da refutao de uma hiptese e da procura de outra com maior contedo explicativo e que pudesse evitar ao menos algumas das falhas da hiptese anterior. Este seria o critrio de progresso cientfico. O problema do falsificacionismo de Popper que o cientista no persegue teorias para provar que so falsas, mas teorias que procura demonstrar verdadeiras. Popper nos diz qual seria o ideal da ciência, mas no de como ela praticada. Tomados isoladamente, tanto o indutivismo como o mtodo hipottico-dedutivo so simplistas e ingnuos. O primeiro cego, no direciona a experimentao pela hiptese terica. O segundo tem direcionamento terico, mas no d conta da gerao da hiptese. Como ambos esto do mesmo lado na descrio da relao do experimento e da teoria, isto torna frutfera a interao destas duas vias. tematizada a teoria dos germes e a descoberta da penicilina como exemplo desta abordagem em biologia.
Resumo:
Fcies marinhas e costeiras associadas a eventos transgressivos-regressivos quaternrios ocorrem na Plancie Costeira do Rio Grande do Sul e na plataforma continental adjacente. Enquanto as fcies expostas na plancie costeira apresentam uma composio essencialmente siliciclstica, as fcies submersas, hoje aflorantes na antepraia e plataforma interna, apresentam, muitas vezes, uma composio carbontica. Formada por coquinas e arenitos de praia fortemente cimentados, estas fcies destacam-se do fundo ocenico como altos topogrficos submersos. Os altos topogrficos da antepraia tm atuado como fonte de boa parte dos sedimentos e bioclastos de origem marinha encontrados nas praias da rea de estudo. Os bioclastos carbonticos que ocorrem nestes locais caracterizam uma Associao Heterozoa, ou seja, so formados por carbonatos de guas frias, caractersticos de mdias latitudes, e so representados principalmente por moluscos, equinodermos irregulares, aneldeos, crustceos decpodos, restos esqueletais de peixes sseos e cartilaginosos, cetceos, tartarugas e aves semelhantes fauna atual. Alm destes bioclastos de origem marinha, as praias estudadas apresentam a ocorrncia de fragmentos orgnicos provenientes de afloramentos continentais fossilferos, contendo abundantes restos esqueletais de mamferos terrestres gigantes extintos, das ordens Edentada, Notoungulada, Litopterna, Proboscidea, Artiodactila, Perissodactila, Carnvora e Rodentia. A concentrao dos bioclastos na praia resultada da ao direta dos processos hidrodinmicos que atuam na regio de estudo (ondas de tempestade, deriva litornea, correntes, etc). A variao no tamanho mdio dos bioclastos encontrados ao longo da linha de costa est relacionada ao limite da ao das ondas de tempestades sobre o fundo ocenico, o qual controlado principalmente pela profundidade. Os afloramentos-fonte submersos podem ser divididos em holocnicos e pleistocnicos. A tafonomia dos bioclastos pleistocnicos permite argumentar que aps o penltimo mximo transgressivo que resultou na formao do sistema deposicional Laguna-Barreira III (aproximadamente 120 ka) parte dos depsitos lagunares permaneceram emersos e no estiveram sob a ao marinha (barrancas do arroio Chu, com a megafauna preservada in situ), enquanto que parte dos depsitos lagunares esteve sob ao direta do ambiente praial. Em diversas feies submersas observam-se coquinas contendo fsseis de mamferos terrestres, indicando o retrabalhamento dos sedimentos lagunares em ambiente praial. As coquinas que apresentam moluscos pouco arredondados e de maior granulometria so aqui definidas, informalmente, como Coquinas do Tipo 1. Como conseqncia da ltima regresso pleistocnica (iniciada aps o mximo transgressivo de 120 ka) estas coquinas ficaram submetidas a uma exposio subarea. Este fato possibilitou a dissoluo diferenciada dos componentes carbonticos existentes nos depsitos (coquinas e arenitos) e sua recristalizao (calcita esptica) em ambientes saturados em gua doce. A Transgresso Ps-Glacial (iniciada em torno de 18 ka) foi responsvel pelo retrabalhamento dos arenitos e coquinas, recristalizando mais uma vez os elementos carbonticos. Devido ao seu grau de consolidao estes depsitos resistiram eroso associada elaborao da superfcie de ravinamento e encontram-se atualmente expostos na antepraia e, mesmo, na linha de praia atual. Pelo menos h 8 ka houve novamente um perodo favorvel precipitao de carbonato de clcio, ocorrendo a litificao de rochas sedimentares em uma linha de praia numa cota batimtrica inferior a atual. Neste intervalo de tempo formaram-se as coquinas e arenitos no recristalizados, apresentando fragmentos de moluscos muito fragmentados e arredondados e de menor granulometria, aqui definidas, informalmente, como Coquinas do Tipo 2. A interpretao da tafonomia dos bioclastos de idade holocnica sugere pelo menos duas fcies deposicionais: (a) Fsseis articulados numa matriz areno-sltica, preenchidos por silte e argila, interpretados como originalmente depositados em regime transgressivo no ambiente Mesolitoral (foreshore) para Infralitoral superior (upper shoreface), com baixa ao de ondas. (b) Fragmentos de carapaas e quelas isoladas encontradas numa coquina fortemente cimentada por calcita esptica, por vezes recristalizada, interpretados como concentrados na Zona de Arrebentao por ondas de tempestades. A dinmica costeira atual retrabalha novamente os sedimentos inconsolidados enquanto as rochas sedimentares consolidadas (formadas pelas Coquinas Tipo 1 e 2) resistem parcialmente eroso e constituem os altos topogrficos submersos (parcis) descritos neste trabalho.
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Este trabalho defende de que a idia que critrios lingsticos e pragmticos contribuem para o reconhecimento da especificidade do termo jurdico. Desse modo, parte do princpio que a identificao de uma terminologia est vinculada ao reconhecimento da natureza e dos propsitos daqueles que a utilizam em uma dada rea de conhecimento, o que, na rea jurdica, se torna evidente na expresso da normatividade da lei. A pesquisa utiliza como referencial terico as concepes de base da Teoria Comunicativa da Terminologia, da Teoria dos Atos de Fala, aportes da Teoria Semitica do Texto no mbito jurdico, bem como fundamentos gerais da ciência jurdica. O corpus de estudo, a partir do qual se demonstra a validade da idia defendida, formado por textos legislativos. A Constituio Brasileira de 1988 foi escolhida como campo preferencial de pesquisa e examinado como objeto da comunicao que se estabelece entre o destinador e o destinatrio no mbito do universo scio-cultural da rea jurdica. Descrevem-se os mecanismos que tecem a rede modal que estrutura esse tipo de texto, considerando-se que a enunciao da norma constitucional configura um ato de fala jurdico. Esse ato de fala analisado na manifestao de normas de trs categorias: programticas, de atribuio de poder e competncia e de conduta, destacando-se o carter performativo dos verbos que expressam tais normas. Aps a identificao do padro morfossinttico e semntico que caracteriza a sua estrutura frasal, analisam-se os elementos que vinculam o verbo, seu sujeito e complementos aos propsitos da rea temtica, com destaque para sua implicao pragmtica. Conforme a pesquisa demonstra, tais propsitos imprimem o carter de imperatividade quilo que comunicado, conferindo especificidade s unidades lexicais que integram a estrutura frasal dos verbos focalizados. Conclui-se que o verbo performativo fator primordial no processo de atualizao da especificidade dos termos na linguagem jurdica, bem como se demonstra que alguns dos verbos analisados se constituem em genunos candidatos a termo jurdico. Finalizando a investigao, so indicados parmetros para a marcao de elementos lingsticos, tanto morfossintticos como semnticos e de natureza pragmtica, para o processamento informatizado da linguagem usada no Direito.
Resumo:
A Fundao Estadual de Amparo Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS) o rgo do governo responsvel pelo financiamento de projetos de pesquisa cientfica e tecnolgica e est buscando justificar perante a sociedade estes investimentos, apresentando seus resultados e obtendo informaes para auxiliar na orientao de polticas pblicas de Ciência e Tecnologia (C&T). A presente dissertao visa a propor um grupo de indicadores que permita identificar os resultados de pesquisas e que auxilie s Fundaes de Amparo Pesquisa, em especial FAPERGS, na composio de seu sistema de avaliao institucional. Para tanto, foram estudados sete projetos cujos resultados visam melhoria e preservao do meio ambiente e verificados os resultados das pesquisas e seus impactos de inovao, sociais e de meio ambiente. O quadro de indicadores proposto, foi testado nos projetos e julgado por juzes, segundo critrios de validade, confiana, viabilidade, mensurabilidade, abrangncia e relevncia. Como concluso, mostrou-se adequado para a avaliao dos casos considerados e suscetvel de aprimoramento, a partir do estudo de um nmero maior e de diferentes tipos de projetos financiados por instituies de fomento pesquisa.
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O objetivo deste trabalho propor um conjunto de indicadores para a identificao e avaliao de resultados de projetos de pesquisa cientfica e tecnolgica apoiados por Fundaes de Amparo Pesquisa, em especial a Fundao de Amparo Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul FAPERGS. O trabalho de pesquisa foi realizado valendo-se do estudo de projetos j finalizados, financiados pela FAPERGS via Edital de Estmulo Interao Universidade Empresa, utilizados para testar os indicadores que seriam propostos. Os indicadores propostos so relativos a: produtos diretos, inovaes tecnolgicas, impactos na empresa e impactos sociais. Foram tambm includos ind icadores de insumos do projeto, que demonstram os valores investidos. O quadro de indicadores, definidos operacionalmente, foi testado por meio da identificao dos resultados de sete projetos. Finalizando, os indicadores foram avaliados conforme critrios de validade, confiabilidade, relevncia, viabilidade, abrangncia e mensurabilidade. De forma geral, os indicadores foram avaliados positivamente, no sendo recomendada a excluso de nenhum. Concluiu-se que o conjunto proposto abrange os aspectos mais importantes a serem considerados em projetos desta natureza, sendo possvel a identificao de resultados no apenas de projetos do tipo estudado, mas tambm de outros projetos apoiados pela Fundao.
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A expectativa deste trabalho discutir a questo da segurana em radiografia industrial, sob o contexto geral da atividade, procurando contribuir para a busca de melhores padres de segurana para os profissionais que atuam em operaes com fontes de radiao. Tomou-se como ponto de partida os dados divulgados pela Comisso Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no encontro sobre Segurana Radiolgica em Radiografia Industrial (Rio de Janeiro, 1998) e contraps-se a opinio dos profissionais de radiografia industrial na regio metropolitana de Porto Alegre, sobre os aspectos que afetam os padres de segurana na atividade. Estes dados foram coletados com base na tcnica do Design Macroergonmico proposto por Fogliatto e Guimares (1999). Alm dos problemas diretamente relacionados segurana radiolgica, ficou evidente a importncia das questes de natureza gerencial e organizacional, que no so consideradas nos atuais padres de segurana das empresas brasileiras de radiografia industrial.
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A escola tem sido a principal instituio encarregada tanto da formao e da constituio do sujeito e da sociedade moderna, quanto da divulgao do conhecimento e da cultura. Atualmente, vem se considerando que no mais somente a escola que faz isso. No caso do ensino de Ciências, os museus so considerados uma destas instituies. Freqentemente, estes museus ensinam muito mais que somente o conhecimento cientfico. O objetivo deste trabalho analisar os ensinamentos produzidos no Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul MCT-PUCRS, o qual se caracteriza principalmente pela qualidade das instalaes e materiais expostos e pela interatividade que proporciona aos visitantes. Nessa anlise, considero dois aspectos principais: a potica e a poltica envolvida nas exposies do MCT-PUCRS. Para isso, valho-me da vertente ps-estruturalista dos Estudos Culturais e do pensamento de Michel Foucault. Ao descrever e analisar vrias sees do Museu, demonstro que ele faz muito mais do que to somente ensinar ou divulgar conhecimentos cientficos aos visitantes. Meu argumento principal que, justamente graas sua qualidade e ao seu carter interativo, o MCT-PUCRS produz sujeitos bem adequados e conformados ao mundo de hoje.
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Esta Tese aborda, na vertente dos Estudos Culturais, as representaes de gnero, sexualidade, raa, etnia, nao, classe social e natureza produzidas em seis desenhos animados lanados na dcada de 1990 pelos estdios Disney e Dreamworks. Cinco filmes so produzidos pela Disney, sendo eles: Vida de Inseto, O Rei Leo, Rei LeoII- o reino de Simba, Pocahontas o encontro de dois mundos e Tarzan. Um filme produzido pela Dreamworks: FormiguinhaZ. A escolha desses filmes deveu-se aos cenrios naturais e aos seus enredos, que tm sempre como personagens determinados animais ou povos, nesse caso especialmente os ndios norte-americanos, que vivem em contato com a natureza. Neste trabalho indico como os desenhos animados tm se constitudo em espaos educativos que ensinam de forma prazerosa sobre uma srie de aspectos, promovendo, colocando em circulao e fixando determinadas identidades e padres culturais, ou seja, atuando na contemporaneidade como uma Pedagogia Cultural. O uso da natureza e, especialmente, de personagens animais apresentados e identificados por msicas encantadoras e produes detalhadamente elaboradas, torna os discursos e as representaes que esses constrem praticamente inquestionveis, especialmente para seu pblico mais fiel. Nestes filmes constrem-se tramas discursivas que entrelaam representaes de natureza e de alguns seres que nela habitam a gnero/sexualidade, raa, etnia/nacionalidade e classe social Maternidade, incapacidade de liderana e facilidade de abdicar de qualquer outra questo por um amor romntico so representaes quase sempre associadas s mulheres nos filmes; agressividade e capacidade de liderana aos homens; para determinadas etnias, como por exemplo os latino-americanos, as representaes vinculam-se marginalidade social; aos/s negros/as inferioridade.
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Esta dissertao parte da unidade como categoria terica. So utilizados para este estudo a filosofia da fsica (CAPRA, WILBER, HAWKING ); a teoria do imaginrio (DURAND, BACHELARD ) e a biologia do conhecimento ( MATURANA ). O mtodo de trabalho fenomenolgico hermenutico e atravs do conceito de vivncia ( DILTHEY apud AMARAL ) prioriza a experincia direta com o mundo. Na relao indissocivel entre teoria e mtodo assume-se o sentido de unidade com o meio onde estamos inseridos, num processo de interdependncia. O trabalho proposto constitui-se de vivncias na natureza, atravs de rituais da cultura indgena, desenvolvidos com alunos de Sries Iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo que a criana tome consciência da unidade, como forma de ser humano ou de simplesmente ser, de maneira que a criana perceba a importncia dos seus atos para o cosmos. Finalizo o trabalho com uma abertura para uma filosofia de vida que registra a importncia de como educadores tentarmos resgatar valores que a cultura tecnolgica e urbana enfraqueceram.
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Como explicar o fato de estarmos em um mundo que ao mesmo tempo em que desafia todos os limites na manipulao da natureza valoriza as coisas naturais na mesma proporo? Qual a natureza recorrentemente invocada no fenmeno de volta ao natural das ultimas dcadas? A partir da constatao deste paradoxo, neste trabalho tenta-se fazer uma anlise sociolgica das especificidades da construo social da idia de natureza no mundo contemporneo. A tese sustentada que a revalorizao do natural acontece pela busca de um refugio de confiana perante as incertezas criadas pela proliferao e a exacerbao dos riscos. No obstante isto, o que se entende por natureza nessa revalorizao obedece a definies sociais, contendo, paradoxalmente, as arbitrariedades prprias da atividade humana das quais tal revalorizao da natureza tenta se livrar. O trabalho apia-se numa anlise da produo de alimentos naturais pelos movimentos de agriculturas alternativas crticas dos mtodos convencionais da agricultura moderna e portadores de vises de natureza diferenciadas. Do ponto de vista emprico, realiza-se um estudo comparativo dos campos sociais da agricultura ecolgica e orgnica no Rio Grande do Sul e na Argentina, verificando como diferentes condicionantes sociais conduzem a construes diferenciadas do que considerado natural.
Resumo:
O objetivo desta tese, "Economia Ecolgica da Emisso Antropognica de CO2 uma Abordagem Filosfico-Cientfica sobre a Efetuao Humana Alopoitica da Terra em Escala Planetria utiliza o novo paradigma ambiental, que inclui as seguintes ferramentas tericas originais: o uso da filosofia da efetuao de Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854); uso da teoria da auto-organizao para demonstrar a existncia de uma efetuao humana alopoitica de dimenses geolgico-planetrias; a articulao das implicaes filosfico-cientficas em uma via de recorrncia que inclui a contingncia, a reprocessualidade, a tica e a hermenutica, alm das abordagens e estratgias da interdisciplinaridade e da transdisicplinaridade; uma nova estrutura de abordagem emprica para a coleta de dados ambientais, a matriz de amostragem ambiental. Nesta abordagem proposto o posicionamento da Epistemologia Ambiental levando em conta o aspecto unificador sistmico, aps ser realizada a crtica das abordagens anarquista e ps-normal. A Economia posta como antiexemplo no qual a Economia tradicional (Clssica, Neoclssica e Ambiental) caracterizada como uma pseudociência, a partir das suas iluses, dogmas, mitos, fantasias, falcias, falsa "lei", falsas metforas e o abandono da tica e da viso sistmica, sendo suas afirmativas (falsas) comparadas com os resultados das demais ciências e com a situao real do planeta Terra, no incio do sculo XXI. O contraponto da Economia tradicional estabelecido pela apresentao dos conceitos de ecodesenvolvimento, sustentabilidade, estado-estvel, Economia Win-Win e o advento da Era Solar. A Economia Ecolgica constitui uma nova Ciência Ambiental, passando atualmente por um processo de corrupo economicista. A apresentao da efetuao humana alopoitica feita em duas principais escalas: a geolgica e planetria. A efetuao humana alopoitica registrada em escala geolgica inclui as seguintes formas: paisagstica, pedognica, litolgica, geodinmica (ssmica, vulcnica, hdrica, massiva e erosional), fossilfera e geoqumica. A efetuao humana alopoitica registrada em escala planetria apresenta as seguintes formas: climtica, asteride-meteortica, da biodiversidade, aeroespacial prxima e extraplanetria. A emisso antropognica de gs carbnico (CO2) na atmosfera terrestre, uma emisso difusa e sem fronteiras geogrficas, abordada com a Economia Ecolgica. A partir da identificao do aquecimento global com "a conta entrpica devida era da mquina" (Rifkin, 1992, p. 81) que a Natureza apresenta aos seres humanos, feita a tentativa de estabelecer um valor real do fenmeno, tendo como ferramenta cientfica a abordagem emergtica. A partir da constatao de que a efetuao humana alopoitica registrada at o final do sculo XX foi realizada de forma imprevista, imprudente e fora de controle e tendo em vista a emergncia da Era da Terra-Ptria, no incio do sculo XXI, e a necessidade de reorientar a globalizao em curso, alternativas para a busca da efetuao terrestre consciente so apresentadas. As principais alternativas propostas para resolver (ou encaminhar a resoluo) para a questo ambiental so as economicistas, da qualidade ambiental total (ISO 14000), as industrialistas (produo limpa, fator 4, fator 10 e capitalismo natural), as cientficas (geofisiologia e terraforming), da Economia Ecolgica e Economia Win-Win, as polticas (Poltica da Biosfera e Plano Marshall Global), as ticas, a utopia do reencantamento do Mundo e a proposta programtica da Agenda 21. As concluses e interpretaes desta tese provm dos resultados obtidos pelo clculo da emisso de CO2 para a atmosfera, sua emergia e valor real atravs de dados obtidos na Internet e da contextualizao destes nas propostas existentes para o encaminhamento da questo ambiental. A mitologia de caro na tentativa ambiciosa em se afastar da Natureza e o retorno ela na forma de uma Fnix de ressurgimento autopoitico, fornece a viso do reenvolvimento ambiental humano.
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Teoria das Categorias uma ramificao da Matemtica Pura relativamente recente, tendo sua base sido enunciada ao final da primeira metade do sculo XX. Embora seja Teoria de grande expressividade, sua aplicao efetiva tem encontrado at o momento grandes obstculos, todos decorrncia natural da brevidade de sua Histria. A baixa oferta de bibliografia (e predominantemente em lngua inglesa) e a falta de uniformidade na exposio do que sejam os tpicos introdutrios convergem e potencializam outro grande empecilho sua propagao - a baixa oferta de cursos com enfoque em Teoria das Categorias. Consegue, a despeito destes obstculos, arrebanhar admiradores em inmeros centros de reconhecida excelncia tcnica e cientfica. Dentre todas as reas do conhecimento, atrai em especial a ateno da Ciência da Computao, por caractersticas como independncia de implementao, dualidade, herana de resultados, possibilidade de comparao da expressividade de outros formalismos, forte embasamento em notao grfica e, sobretudo, pela expressividade de suas construes [MEN2001]. No Brasil, j conta com o reconhecimento de seu papel no futuro da Ciência da Computao por parte de instituies como SBC e MEC. Os obstculos aqui descritos, entretanto, ainda necessitam ser transpostos. O presente trabalho foi desenvolvido visando contribuir nesta tarefa. O projeto consiste em uma iniciativa aplicada em Ciência da Computao, a qual visa oportunizar o franco acesso aos conceitos categoriais introdutrios: uma aplicao de computador que faa amplo uso de representao diagramtica para apresentar a proposio de conceitos bsicos do grupo de pesquisa em Teoria das Categorias do Instituto de Informtica da UFRGS. A proposio e implementao de uma ferramenta, embora no constitua iniciativa indita no mundo, at onde se sabe a segunda experincia desta natureza. Ademais, vale destacar que os conceitos tratados, assim como os objetivos visados, so atendidos de forma nica e exclusiva por esta aplicao. Conjuntamente, vislumbra-se a aplicao desenvolvida desempenhando importante papel de agente catalisador na propagao da viso dos Grupos de Pesquisa em Teoria das Categorias da UFRGS e da PUC/RJ do que sejam os "conceitos categoriais introdutrios".
Resumo:
O presente Estudo apresenta as discusses tecidas ao longo de uma pesquisa de doutorado na qual examinaram-se os relatos de viagem feitos por quatro viajantes-naturalistas franceses Auguste de Saint-Hilaire, Arsene Isabelle, Nicolaus Dreys e Aim Bompland -, que estiveram no Rio Grande do Sul na primeira metade do sculo XIX. A pesquisa inscreve-se no campo terico dos Estudos Culturais e nela investigou-se a produo cultural da natureza engendrada nas formas como esses naturalistas narraram as diferentes paisagens do Rio Grande do Sul, naquele tempo. Neste trabalho, buscou-se mostrar que em diferentes tempos histricos produziram-se diferentes formas de falar, de narrar e, neste processo, de constituir discursivamente a natureza. E tambm destacar como a nossa percepo daquilo que consideramos como natureza est profundamente marcada por construes estticas e culturais que estabelecem o que se deve ver, admirar, conservar e proteger no mundo dito natural. E nesse sentido que se colocou em destaque, que a configurao da natureza como selvagem`, bela`,inspita`,extica, sublime`, primitiva,oupitoresca, sempre resultado de experincias arbitrrias constitudas histrica e culturalmente e processadas em meio a intensas negociaes e disputas. Ainda, o presente estudo esteve atento para a diversidade inerente complexa experincia cultural da viagem; ou seja, as viagens, embora inscritas e comprometidas com um projeto colonizador, abrigavam tambm, projetos particulares. Assim, os relatos dos viajantes aqui estudados, foram olhados na sua diversidade: diferentes modos de se deslocar pela regio e de permanecer nos lugares, diversas formas de narrar, de compor a paisagem e de olhar o outro. Ao longo dessa pesquisa uma das questes norteadoras do trabalho foi investigar como, diante de uma paisagem desconhecida, os viajantes franceses transculturaram a paisagem natural do Rio Grande do Sul, na primeira metade do sculo XIX.