19 resultados para Polineuropatia amiloidótica familiar
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RESUMO - Objetivos: Caracterizar a adeso teraputica nos doentes do CHLN, na rea do VIH/SIDA, Esclerose, Artrite Reumatide, Psorase e Paramiloidose e avaliar a hiptese de ser possvel prever o risco de um doente se tornar, num doente sem adeso. Metodologia: Estudo retrospetivo, observacional e longitudinal, realizado entre Janeiro de 2010 a 31 de Dezembro de 2013, a 4.761 doentes, em que a adeso teraputica foi calculada com base nos registos informticos das dispensas de medicao, efectuados pelos Servios Farmacuticos, com recurso Compliance Rate (CR) e utilizada como varivel dependente. A estatstica descritiva foi utilizada para caracterizar os doentes e os seus levantamentos e a regresso logstica para avaliar o efeito das variveis (idade, sexo, distrito de residncia, perodo de observao, nmero de interrupes superiores a trinta dias e tempo at primeira interrupo) sobre a adeso teraputica. Resultados e Concluses: A percentagem de doentes com adeso foi de 64%, no entanto no HIV/Sida e na Artrite Reumatide e Psorase esta percentagem foi significativamente mais baixa, 42% dos doentes interromperam a teraputica por perodos superiores a 30 dias, ocorrendo essa interrupo maioritariamente entre o primeiro e segundo ano de teraputica. O modelo de regresso logstica permitiu verificar que s com as variveis sociodemogrficas no possvel prever o risco de um doente se tornar num doente sem adeso, sendo para tal necessrio adicionar ao modelo a varivel nmero de interrupes superiores a 30 dias que foi identificada como importante factor preditivo da no adeso (OR=15,9, p=0,000).
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RESUMO:Desde a declarao de Bethesda em 1983, a transplantao heptica considerada um processo vlido e aceite na prtica clnica para muitos doentes com doena heptica terminal, relativamente aos quais no houvesse outra alternativa teraputica. Em 1991, por proposta de Holmgren, professor de gentica, o cirurgio sueco Bo Ericzon realizou em Huntingdon (Estocolmo) o primeiro transplante heptico num doente PAF (Polineuropatia Amilloidtica Familiar), esperando que a substituio do fgado pudesse frenar a evoluo da doena. Nesta doena hereditria autossmica dominante, o fgado, apesar de estrutural e funcionalmente normal, produz uma protena anormal (TTR Met30) responsvel pela doena. A partir de ento, a transplantao heptica passou a ser a nica teraputica eficaz para estes doentes. Portugal o pas do mundo com mais doentes PAF, tendo sido o mdico neurologista portugus Corino de Andrade quem, em 1951, identificou e descreveu este tipo particular de polineuropatia hereditria, tambm conhecida por doena de Andrade. Com o incio da transplantao heptica programada em Setembro de 1992, o primeiro doente transplantado heptico em Portugal, no Hospital Curry Cabral, foi um doente PAF. Desde logo se percebeu que a competio nas listas de espera em Portugal, entre doentes hepticos crnicos e doentes PAF viria a ser um problema clnico e tico difcil de compatibilizar. Em 1995, Linhares Furtado, em Coimbra, realizou o primeiro transplante dum fgado dum doente PAF num doente com doena heptica metasttica, ficando este tipo de transplante conhecido como transplante sequencial ou em domin. F-lo no pressuposto de que o fgado PAF, funcional e estruturalmente normal, apesar de produzir a protena mutada causadora da doena neurolgica, pudesse garantir ao receptor um perodo razovel de vida livre de sintomas, tal como acontece na histria natural desta doena congnita, cujas manifestaes clnicas apenas se observam na idade adulta. A tcnica cirrgica mais adequada para transplantar o doente PAF a tcnica de piggyback, na qual a hepatectomia feita mantendo a veia cava do doente, podendo o transplante ser feito sem recorrer a bypass extracorporal. Antes de 2001, para fazerem o transplante sequencial, os diferentes centros alteraram a tcnica de hepatectomia no doente PAF, ressecando a cava com o fgado conforme a tcnica clssica, recorrendo ao bypass extracorporal. No nosso centro imaginmos e concebemos uma tcnica original, com recurso a enxertos venosos, que permitisse ao doente PAF submeter-se mesma tcnica de hepatectomia no transplante, quer ele viesse a ser ou no dador. Essa tcnica, por ns utilizada pela primeira vez a nvel mundial em 2001, ficou conhecida por Transplante Sequencial em Duplo Piggyback. Este trabalho teve como objectivo procurar saber se a tcnica por ns imaginada, concebida e utilizada era reprodutvel, se no prejudicava o doente PAF dador e se oferecia ao receptor heptico as mesmas garantias do fgado de cadver. A nossa srie de transplantes realizados em doentes PAF a maior a nvel mundial, assim como o o nmero de transplantes sequenciais de fgado. Recorrendo nossa base de dados desde Setembro de 1992 at Novembro de 2008 procedeu-se verificao das hipteses anteriormente enunciadas. Com base na experincia por ns introduzida, a tcnica foi reproduzida com xito em vrios centros internacionais de referncia, que por si provaram a sua reprodutibilidade. Este sucesso encontra-se publicado por diversos grupos de transplantao heptica a nvel mundial. Observmos na nossa srie que a sobrevivncia dos doentes PAF que foram dadores ligeiramente superior queles que o no foram, embora sem atingir significncia estatstica. Contudo, quando se analisaram, apenas, estes doentes aps a introduo do transplante sequencial no nosso centro, observa-se que existe uma melhor sobrevida nos doentes PAF dadores (sobrevida aos 5 anos de 87% versus 71%, p=0,047).Relativamente aos receptores observmos que existe um benefcio a curto prazo em termos de morbi-mortalidade (menor hemorragia peri-operatria) e a longo prazo alguns grupos de doentes apresentaram diferenas de sobrevida, embora sem atingir significncia estatstica, facto este que pode estar relacionado com a dimenso das amostras parcelares analisadas. Estes grupos so os doentes com cirrose a vrus da hepatite C e os doentes com doena heptica maligna primitiva dentro dos critrios de Milo. Fora do mbito deste trabalho ficou um aspecto relevante que a recidiva da doena PAF nos receptores de fgado sequencial e o seu impacto no longo prazo. Em concluso, o presente trabalho permite afirmar que a tcnica por ns introduzida pela primeira vez a nvel mundial exequvel e reprodutvel e segura para os doentes dadores de fgado PAF, que no vem a sua tcnica cirrgica alterada pelo facto de o serem. Os receptores no so, por sua vez, prejudicados por receberem um fgado PAF, havendo mesmo benefcios no ps-operatrio imediato e, eventualmente, alguns grupos especficos de doentes podem mesmo ser beneficiados.---------ABSTRACT: Ever since Bethesda statement in 1983, Liver Transplantation has been accepted as a clinical therapeutic procedure for many patients with advanced hepatic failure Holmgren, professor of genetics, suggested that one could expect that transplanting a new liver could lead to improve progressive neurological symptoms of Familial Amyloidotic Polyneuropathy (PAF). Bo Ericzon, the transplant surgeon at Huddinge Hospital in Stockholm, Sweden, did in 1991 the first Liver Transplant on a FAP patient. FAP is an inherited autosomal dominant neurologic disease in which the liver, otherwise structural an functionally normal, produces more than 90% of an abnormal protein (TTR Met30) whose deposits are responsible for symptoms. Liver Transplantation is currently the only efficient therapy available for FAP patients. Portugal is the country in the world where FAP is most prevalent. The Portuguese neurologist Corino de Andrade was the first to recognize in 1951 this particular form of inherited polyneuropathy, which is also known by the name of Andrade disease. Liver Transplantation started as a program in Portugal in September 1992. The first patient transplanted in Lisbon, Hospital Curry Cabral, was a FAP patient. From the beginning we did realize that competition among waiting lists of FAP and Hepatic patients would come to be a complex problem we had to deal with, on clinical and ethical grounds. There was one possible way-out. FAP livers could be of some utility themselves as liver grafts. Anatomically and functionally normal, except for the inherited abnormal trace, those livers could possibly be transplanted in selected hepatic patients. Nevertheless the FAP liver carried with it the ability to produce the mutant TTR protein. One could expect, considering the natural history of the disease that several decades would lapse before the recipient could suffer symptomatic neurologic disease, if at all. In Coimbra, Portugal, Linhares Furtado performed in 1995 the first transplant of a FAP liver to a patient with metastatic malignant disease, as a sequential or domino transplant. FAP Liver Transplant patients, because of some dysautonomic labiality and unexpected reactions when they are subjected to surgery, take special advantage when piggyback technique is used for hepatectomy. This technique leaves the vena cava of the patient undisturbed, so that return of blood to the heart is affected minimally, so that veno-venous extracorporeal bypass will not be necessary. The advantages of piggyback technique could not be afforded to FAP patients who became donors for sequential liver transplantation, before we did introduce our liver reconstruction technique in 2001. The hepatectomy took the vena cava together with the liver, which is the classical technique, and the use of extracorporeal veno-venous bypass was of necessity in most cases. The reconstruction technique we developed in our center and used for the first time in the world in 2001 consists in applying venous grafts to the supra-hepatic ostia of piggyback resected FAP livers so that the organ could be grafted to a hepatic patient whose liver was itself resected with preservation of the vena cava. This is the double piggyback sequential transplant of the liver. It is the objective of this thesis to evaluate the results of this technique that we did introduce, first of all that it is reliable and reproducible, secondly that the FAP donor is not subjected to any additional harm during the procedure, and finally that the recipient has the same prospects of a successful transplant as if the liver was collected from a cadaver donor. Our series of liver transplantation on FAP patients and sequential liver transplants represent both the largest experience in the world. To achieve the analysis of the questions mentioned above, we did refer to our data-base from September 1992 to November 2008. The reconstructive technique that we did introduce is feasible: it could be done with success in every case ion our series. It is also reproducible. It has been adopted by many international centers of reference that did mention it in their own publications. We do refer to our data-base in what concerns the safety for the FAP donor.Five years survival of FAP transplanted patients that have been donors (n=190) has been slightly superior to those who were not (n=77), with no statistical significance. However, if we consider five year survival of FAP transplanted patients after the beginning of sequential transplant program in our center, survival is better among those patients whose liver was used as a transplant (87% survival versus 71%, p=0.047). In what concerns recipients of FAP livers: Some short-term benefit of less perioperative morbi-mortality mainly less hemorrhage. In some groups of particular pathologies, there is a strong suggestion of better survival, however the scarcity of numbers make the differences not statistically significant. Patients with cirrhosis HVC (83% versus73%) and patients with primitive hepatic cancer within Milan criteria (survival of 70% versus 58%) are good examples. There is one relevant problem we left beyond discussion in the present work: this is the long-term impact of possible recurrence of FAP symptoms among recipients of sequential transplants. In Conclusion: The reconstruction technique that we did develop and introduce is consistently workable and reproducible. It is safe for FAP donors with the advantage that removal of vena cava can be avoided. Hepatic patients transplanted with those livers suffer no disadvantages and have the benefit of less hemorrhage. There is also a suggestion that survival could be better in cirrhosis HVC and primary liver cancer patients.
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Dissertao de mestrado em Cincias da Educao, na Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Diplme d' Universit Franois Rabelais de Tours
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Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau de Doutor em Cincias da Educao, especialidade de Educao e Desenvolvimento.
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Relatrio de Estgio apresentado para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Edio de Texto
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Introduo, Objectivos e Finalidade: Os cuidados de sade primrios (CSP) so o primeiro ponto de contacto dos cidados com o sistema de sade. O reforo da qualidade desta primeira e fundamental interface um dos mais importantes objectivos da Reforma de 2005 dos CSP em Portugal, abrindo caminho a uma necessria e profunda mudana organizacional. neste sentido que surgem as unidades funcionais dos centros de sade como parte integrante do processo de reestruturao e, muito em particular, as Unidades de Sade Familiar (USF). O presente estudo tem como objectivo geral caracterizar as USF quanto ao seu desenvolvimento organizacional e opinio e satisfao dos seus profissionais em relao Reforma de 2005 dos CSP em Portugal. Esta caracterizao tem como finalidade contribuir para o planeamento da monitorizao e do apoio evoluo da Reforma de 2005 dos CSP em Portugal. Os objectivos especficos so: medir a satisfao dos profissionais de sade das USF em relao Reforma de 2005 dos CSP em Portugal e actividade da sua USF; identificar os parmetros de qualidade da actividade das USF reconhecidos como importantes pelos coordenadores das USF; identificar as necessidades de formao dos profissionais das USF; descrever os instrumentos de apoio gesto utilizados pelas USF; conhecer a opinio dos coordenadores das USF sobre o processo de contratualizao da actividade destas com as Administraes Regionais de Sade; medir a satisfao dos coordenadores das USF em relao s condies tcnicas para a actividade das USF; identificar as reas prioritrias de mudana na actividade das USF na perspectiva dos seus coordenadores. Populao e Mtodos: O estudo observacional, descritivo, transversal e censitrio. Utilizou-se um questionrio semi-estruturado para recolha da informao, aplicado a todos os indivduos que desempenhavam funes de coordenao de USF em actividade no territrio de Portugal Continental (N=230, a 8 Fevereiro 2010 [Misso dos Cuidados de Sade Primrios, 2010]). Na anlise de resultados foi utilizada estatstica descritiva - percentagens e frequncias - das variveis e a anlise de contedo para os resultados das variveis medidas por questes de resposta aberta. Foram definidos como parmetros de caracterizao das USF e variveis deste estudo, as dimenses: qualidade, formao profissional, sistemas de informao e comunicao e aplicaes informticas, articulao com as unidades parceiras (manual de articulao), processo de contratualizao, condies tcnicas (recursos fsicos e humanos) e a satisfao. Tendo em considerao que a caracterizao das USF sofre influncia das suas condies territoriais, temporais e estruturais, a USF de cada participante foi identificada de acordo com a Administrao Regional de Sade a que pertencem, o tipo de modelo em que opera e o nmero de anos de actividade. A Reforma dos CSP em Portugal Caracterizao das USF em 2010 Maria Carlota Pacheco Vieira 5 II Mestrado em Sade e Desenvolvimento Para este estudo delineou-se uma estratgia de recolha de dados em que foi salvaguardado o anonimato dos dados recolhidos. Neste estudo no existiu qualquer conflito de interesses. Resultados e discusso: A taxa de resposta obtida foi de 59,1% (n=136). Observou-se que a distribuio dos coordenadores de USF respondentes, em relao aos parmetros Administrao Regional de Sade de pertena da USF e tipo de modelo das USF, proporcional distribuio dos coordenadores no universo, dando suporte generalizao das concluses deste estudo para toda a populao em estudo. Conseguiu-se construir um quadro complexo correspondente caracterizao das USF em 2010, como reflexo actual do estado de implementao da Reforma de 2005 dos CSP em Portugal. Os parmetros referentes ao desenvolvimento organizacional das USF mostram que existe preocupao com a rea da qualidade da prestao dos cuidados, uma utilizao de instrumentos de gesto como manuais de articulao e de boas prticas, estudos de satisfao do cidado ou de satisfao no trabalho e um reconhecimento de que o processo de contratualizao de actividade para a USF actua como um estmulo para trabalhar com maior qualidade. Estes resultados indicam que o processo de mudana que decorre pode estar a corresponder a uma melhoria organizacional dos servios de sade. Quanto satisfao dos profissionais de sade em relao Reforma de 2005 dos CSP em Portugal, pode-se afirmar que os resultados obtidos so positivos e concordantes com um processo de mudana mobilizador dos profissionais (59,8% referem estar satisfeitos ou muito satisfeitos). Estes valores positivos so reforados com os 83,3% de respostas de satisfao ou muita satisfao dos profissionais das USF em relao ao modo como decorre a actividade da USF, o que tem de ser considerado um sinal de que a componente organizacional das USF pode estar a conseguir garantir um adequado nvel de qualidade de funcionamento das unidades. Foram, no entanto, assinaladas vrias reas em que se poderiam registar melhorias para a optimizao da actividade das USF: maior autonomia funcional e financeira das USF, maior descentralizao de competncias das Administraes Regionais de Sade para os Agrupamentos de Centros de Sade, melhores sistemas de informao, entre outras. Pode-se assim concluir que a evoluo que se pretendia favorecer com a Reforma de 2005 dos CSP em Portugal est, de facto, a acontecer mas, ainda, com ritmos, condies e resultados desiguais.
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RESUMO: A tese de doutoramento visa demonstrar duas proposies: a comorbilidade de 4 situaes de doena prevalentes, hipertenso arterial (HTA), diabetes (DM), doena cardaca isqumica (DCI) e asma um assunto importante em Medicina Geral e Familiar e o seu estudo tem diversas implicaes na forma como os cuidados de sade so prestados, na sua organizao e no ensino-aprendizagem da disciplina. O documento encontra-se dividido em 4 partes: 1) justificao do interesse do tema e finalidades da dissertao; 2) reviso sistemtica de literatura publicada entre 1992 e 2002; 3) apresentao de dois trabalhos de investigao, descritivos e exploratrios que se debruam sobre a mesma populao de estudo, o primeiro intitulado Comorbilidade de quatro doenas crnicas e sua relao com factores scio demogrficos e o segundo, Diferenas entre doentes, por mdico e por sub-regio, na comorbilidade de 4 doenas crnicas; 4) concluses e implicaes dos resultados dos estudos na gesto da prtica clnica, nos servios, no ensino da disciplina da MGF e no desenvolvimento posterior de uma linha de investigao nesta rea. O primeiro estudo tem como objectivos: descrever a prevalncia da comorbilidade entre as 4 doenas-ndice; verificar se existe relao entre o tempo da primeira doena e o tempo decorrido at ao aparecimento da 2 e da 3 doena, nas 4 doenas; determinar a comorbilidade associada s 4 doenas; identificar eventuais agrupamentos de doenas e verificar se existe relao entre comorbilidade e factores sociais e demogrficos. O segundo estudo pretende verificar se existem diferenas na comorbilidade a nvel local, por mdico, e por Sub-Regio de Sade. O trabalho emprico descritivo e exploratrio. A populao constituda pelos doentes, com pelo menos uma das 4 doenas crnicas ndice, das listas de utentes de 12 Mdicos de Famlia a trabalharem em Centros de Sade urbanos, suburbanos e rurais dos distritos de Lisboa e Beja. Os dados foram colhidos durante um ano atravs dos registos mdicos. As variveis scio demogrficas estudadas so: sexo, idade, etnia/raa, escolaridade, situao profissional, estado civil, tipo de famlia, funcionalidade familiar, condies de habitao. A comorbilidade definida pela presena de duas ou mais doenas e estudada pelo nmero de doenas coexistentes. O tempo de durao da doena definido como o nmero de anos decorridos entre o ano de diagnstico e 2003. Os problemas de sade crnicos so classificados pela ICPC2. Nas comparaes efectuadas aplicaram-se os testes de Mann-Whitney e de Friedman, de homogeneidade e de anlise de resduos. A Anlise Classificatria Hierrquica foi utilizada para determinar o agrupamento de doenas e a Anlise de Regresso Categrica e Anlise de Correspondncias na relao entre as caractersticas scio demogrficas e a comorbilidade. Identificaram-se 3998 doentes. A idade mdia de 64,3 anos (DP=15,70). H uma correlao positiva significativa (r =0,350 r=0) entre anos com a primeira doenae idade dos doentes em todos os indivduos (homens r=0,129 mulheres r=0,231). A comorbilidade entre as quatro doenas crnicas ndice est presente em 1/3 da populao. As associaes mais prevalentes so HTA+DM (14,3%) e HTA+DCI (6,25%). Existe correlao positiva, expressiva, entre a durao da primeira doena, quando esta a HTA ou a DM, e o intervalo de tempo at ao aparecimento da 2 e da 3 doenas. Identificaram-se 18 655 problemas crnicos de sade que se traduziram em 244 cdigos da ICPC2. O nmero mdio de problemas foi de 5,94 (DP=3,04). A idade, a actividade profissional, a funcionalidade familiar e a escolaridade foram as variveis que mais contriburam para diferenciar os indivduos quanto comorbilidade. Foram encontradas diferenas significativas entre mdicos(c2=1165,368 r=0) e entre os agrupamentos de doentes por Sub-Regio de Sade (c2= 157,108 r=0) no respeitante comorbilidade. Na partio por Lisboa o nmero mdio de problemas de 6,45 e em Beja de 5,35. Deste trabalho ressaltam vrias consequncias para os profissionais, para os servios, para o ensino e para a procura de mais saber nesta rea. Os mdicos, numa gesto eficiente de cuidados so chamados a desempenhar um papel de gestores da complexidade e de coordenadores assim como a trabalhar num modelo organizativo apoiado numa colaborao em equipa. Por sua vez os servios de sade tm que desenvolver medidas de avaliao de cuidados que integrem a comorbilidade como medida de risco. O contexto social da cronicidade e da comorbilidade dever ser includo como rea de ensino. A concluir analisa-se o impacto do estudo nos colaboradores e o possvel desenvolvimento da investigao nesta rea.----------------------------------------ABSTRACT: The PhD Thesis has two propositions, co-morbidity of four chronic conditions (hypertension, asthma, diabetes, cardiac ischaemic disease) is a prevalent and complex issue and its study has several implications in the way care is provided and organised as well as in the learning and teaching of the discipline of General Practice. In the first part of the document arguments of different nature are given in order to sustain the dissertation aims; the second part describes a systematic study of literature review from 1992 to 2002; the third presents two research studies "Comorbidity of four chronic diseases and its relation with socio demographic factors and Differences between patients among GPs at local and regional level; implications of study results for practice management, teaching and research are presented in the last part. The prevalence of the four chronic diseases co-morbidity, the relation of the first disease duration with the time of diagnose of the next index condition, the burden of co-morbidity in the four chronic diseases, the clustering of those diseases, the relation between demographic and social characteristics and co-morbidity, are the objectives of the first study. The second intends to verify differences in comorbidity between patients at local and regional level of practice. Research studies were descriptive and exploratory. The population under study were patients enlisted in 12 GPs working in urban and rural health centres, in Lisbon and Beja districts, with at least one of the four mentioned diseases. Data were collected through medical records during one year (2003) and 3998 patients were identified. The social demographic variables were: sex, age, ethnicity/race, education, profession, marriage status, family status, family functionality, home living conditions. Co-morbidity is defined by the presence of two or more diseases, and studied by the number of co-existing diseases. The time duration of the disease is defined by the number of years between the diagnostic year and 2003. The chronic disease problems are classified in accord with ICPC2. The characterization of population is descriptive. The effected comparisons applied the Mann-Whitney, Friedman, homogeneity and analysis of residuals tests. The Classificatory Hierarchy Analysis was utilized to determine the grouping of diseases and the Regression Categorization and Correspondences Analysis was used to study the relation of socio-demographic and co-morbidity. The median age of the population under study is 64,3 (SD= 15,70). There is a significant positive correlation (r =0,350 r=0)between years with the first disease and patient age for all individuals (men r=0,129 women r=0,231). Co-morbidity of the four index diseases is present in 1/3 of the studied population. The most prevalent associations for the four diseases are HTA+DM (14,03%) and HTA+IHD (6,25%). Expressive positive correlation between the duration of the first disease and the second and the third index disease interval is found. For the 3988 patients, 18 655 chronic health problems, translated in 244 ICPC2 codes, were identified. The mean number of problems is 5,94 (SD=3,04). Age, professional activity, family functionality and education level are the socio demographic characteristics that most contribute to differentiate individuals concerning the overall co-morbidity. Significant differences in co-morbidity between GP patients at local (c2=1165,368 r=0) and regional level (c2= 157,108 r=0) are found. This study has several consequences for professionals, for services, for the teaching and learning of General Practice and for the pursuit of knowledge in this area. New competences and performances have to be implemented. General Practitioners, assuming a role of co-ordination, have to perform the role of complexity managers in patient's care, working in practices supported by a strong team in collaboration with other specialists. In order to assess provided care, services have to develop tools where co-morbidity is included as a risk measure. The social context of comorbidity and chronicity has to be included in the curricula of General Practice learning and teaching areas. The dissertation ends describing the added value to participant's performance for their participation in the research and an agenda for further research, in this area, based on a community of practice.--------RSUM:Cette thse de doctorat prtend dmontrer deux postulats : le premier, que la comorbidit de quatre maladies frquentes, hypertension artrielle (HTA), diabte (DM), maladie cardiaque ischmique (DCI) et asthme, est un thme important en Mdecine Gnrale et Familiale et que son tude a plusieurs implications au niveau de l'approche pour dispenser les soins, de leur organisation et de l'enseignement/apprentissage de la discipline. Le document comprend quatre parties distinctes : 1) justification de l'intrt du sujet et objectifs de la dissertation ; 2) tude systmatique de publications dites entre 1992 et 2002 ; 3) prsentation de deux travaux de recherche, descriptifs et exploratoires, un premier intitule Comorbidit de quatre maladies chroniques et leur relation avec des facteurs sociodmographiques et un deuxime Diffrences entre malades, selon le mdecin et la sous rgion, dans la comorbilit de quatre maladies chroniques ; 4) conclusions et consquences des rsultats des tudes dans la gestion de la pratique clinique, dans les services, dans l'enseignement de la discipline de MGF et dans le dveloppement postrieur de la recherche dans ce domaine. Les objectifs de la premire tude sont les suivants : dcrire la prvalence de la comorbidit entre les quatre maladies chroniques, vrifier s'il existe une relation entre temps de dure de la premire maladie et l'espace de temps jusqu' le diagnostic de la 2me ou 3me maladie; dterminer la comorbidit entre les 4 maladies ; identifier d'ventuelles groupements de maladies et vrifier s'il existe une relation entre comorbidit et facteurs sociodmographiques. La deuxime tude prtend vrifier s'il existe des diffrences de comorbidit entre mdecins et par groupement rgional. Le travail empirique est descriptif et exploratoire. La population est compose des malades ayant au moins une des quatre maladies chroniques parmi les listes de malades de douze Mdecins de Famille qui travaillent dans des Centres de Sant urbains, suburbains et ruraux (Districts de Lisbonne et Beja). Les donnes ont t extraites pendant l'anne 2003 des registres des mdecins. Les variables sociodmographiques tudies sont : le sexe, l'ge, l'ethnie/race, la scolarit, la situation professionnelle, l'tat civil, le type de famille, sa fonctionnalit, les conditions de logement. La comorbidit est dfinie lorsqu'il existe deux ou plusieurs maladies et est tudie d'aprs le nombre de maladies coexistantes. La dure de la maladie est tablie en comptant le nombre d'annes coules entre le diagnostique et 2003. Les problmes de sant chroniques sont classs par l'ICPC 2. Pour les comparaisons les tests de Mann-Whitney et Friedman, de homognit et analyse de rsidues ont t appliqus. L'Analyse de Classification Hirarchique a t utilise pour procder au regroupement des maladies et l'Analyse de Rgression Catgorique et l'Analyse de Correspondances pour tudier la relation entre les caractristiques sociodmographiques et la comorbilit. Les principaux rsultats sont les suivants : les 3998 malades identifis ont 64,3 ans d'ge moyen (DP=15,70). Il existe une corrlation positive significative (r =0,350 r=0) entre les annes avec la premire maladie et l'ge des malades , chez tous les individus (hommes r=0,129 femmes r=0,231). La comorbidit entre les quatre maladies chroniques est une ralit chez 1/3 des patients. Les associations les plus frquentes sont HTA+DM (14%) et HTA+DCI (6,25%). Il existe une corrlation positive significative entre la dure de la premire maladie, HTA ou DM, et l'cart jusqu' l'apparition de la deuxime et de la troisime maladie. Chez les malades, 18.655 problmes chroniques de sant ont t identifis et traduits en 244 codes de l'ICPC2. La moyenne des problmes a t de 5,94 (DP=3,04). L'ge, l'activit professionnelle, la fonctionnalit familiale et la scolarit sont les variables qui ont le plus contribu diffrencier les individus face la comorbilit. Des diffrences notoires ont t trouves entre mdecins (c2=1165,368 r=0) et entre les groupements rgionaux (c2=157,108 r=0) en ce qui concerne la comorbidit. Dans le groupe de patients de Lisbonne, le chiffre moyen de problmes est de 6,45 et Beja il est de 5,35. Cette tude met en vidence plusieurs consquences pour les professionnels, les services, l'enseignement et l'largissement du savoir dans ce domaine. Les mdecins, soucieux de grer efficacement les soins sont appels jouer un rle de gestionnaires de la complexit et de coordinateurs, de mme qu' travailler dans un modle d'organisation soutenus par un travail d'quipe. D'autre part, les services de sant doivent eux aussi dvelopper des mesures d'valuation des soins qui intgrent la comorbidit comme mesure de risque. Le contexte social de la chronicit et de la comorbidit devra tre inclus comme domaines tudier. La fin de cette thse dcrit l'impact de cette tude sur les collaborateurs et le dveloppement futur de la recherche dans ce domaine.
Resumo:
Tese apresentada para cumprimentos dos requisitos necessrios obteno do grau de Doutor em Cincias Sociais
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O processo de tomada de deciso familiar de institucionalizar um parente idoso com demncia e as equipas de cuidados primrios de sade FILIPA JOAQUIM PALAVRAS CHAVE: Doente, Idoso, Demncia, Famlia, Processo de Tomada de Deciso, Equipa de Cuidados Primrios de Sade, Cuidados de Longa Durao Pretende se com a proposta de investigao, estudar a gesto de transferncia de um doente idoso com demncia, para os cuidados de longa durao, atravs da anlise do processo de tomada de deciso, levado a cabo pelas famlias destes pacientes, tendo como referncia o Modelo Multidisciplinar de Avaliao e Tomada de Deciso de Beckingham e Baumann (1990) e Modelo de Utilizao de Servios de Sade de Dutton (1986). Ir-se- explorar como as famlias experienciam este processo de gesto de transferncia de cuidados, e o papel desempenhado pela equipa de cuidados primrios de sade. Optou-se por uma abordagem qualitativa, com desenho de estudo de caso inclusivo, a realizar na Instituio Particular de Solidariedade Social (IPSS), Lar de S. Cristvo, situada no concelho de Leiria, com duas unidades de anlise embutidas: famlias (representadas pelos cuidadores principais do familiar doente) e equipas de cuidados de sade primrios. Os mtodos de recolha de dados utilizados so a entrevista semi-estruturada e focus-grupo. A anlise dos dados efectuada atravs dos mtodos de anlise de contedo e anlise estatstica. A todos os participantes ser pedido o seu consentimento livre e esclarecido, atravs de documento escrito, garantindo a sua privacidade e o sigilo das informaes cedidas. Com a presente investigao, pretende-se dar um contributo para a introduo de novas prticas de colaborao, acesso e melhoria da qualidade dos servios, centrados na perspectiva do paciente, a fim de facilitar a transio entre os diferentes nveis de cuidados de sade.
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RESUMO: O envelhecimento demogrfico tem vindo a acentuar-se nas ltimas dcadas. expectvel um aumento mais acentuado no nmero de pessoas com mais de 80 anos, o que importar maiores custos mdicos, mais suporte familiar e comunitrio, maior probabilidade de cuidados de longa durao devido prevalncia de doenas crnicas. Conduzindo a uma maior procura de apoios formais e informais. A preocupao com aqueles que atingem idades avanadas tem vindo a suscitar inquietao face urgncia de necessidades de suporte, sentidas por familiares, amigos e vizinhos. A questo central que orientou este estudo diz respeito aos familiares cuidadores ou gestores de cuidados do seu familiar idoso dependente e ao idoso dependente. Procurei identificar quais as dificuldades sentidas e as estratgias desenvolvidas pela famlia cuidadora ou gestora dos cuidados prestados ao idoso dependente, descrever e caracterizar a dependncia destes idosos. um estudo transversal, exploratrio, descritivo, de abordagem quantitativa e qualitativa. Apliquei um questionrio a 25 familiares cuidadores ou gestores dos cuidados a idosos dependentes, internados nos servios de medicina e cirurgia de um hospital privado, Hospital CUF Descobertas, possuindo previamente alguma dependncia. Dos dados obtidos ressalta que as principais dificuldades sentidas pelos familiares cuidadores ou gestores dos cuidados so essencialmente na gesto do tempo e a sade do cuidador. Estratgias mais desenvolvidas foram o recurso a empregada domstica e a outros familiares. Posso Concluir que h uma tendncia preferencial por parte da famlia, na complementaridade de apoios informais e formais para prestar os cuidados ao idoso dependente no seio da famlia.------------ ABSTRACT: Demographic aging has risen progressively over the past decades. The number of people over the age of 80 years old is expected to increase considerably and surely result in the rise of medical costs, the growing need for additional community and family support, higher probability of long-term medical care due to the increased risk of chronic disease and the seeking of help regarding formal and informal support. The concern with persons that attain advanced age has brought about a certain degree of uneasiness regarding the urgency of the need of support systems felt by family members, friends, neighbours. The main topic that has steered this study pertains to the family caregivers or the care managers of dependant elderly relatives and dependant elderly persons. I endeavoured to identify encountered difficulties and the strategies undertaken by family caregivers or care managers in regard to the elderly dependant, to describe and characterize the nature of the dependency of these elderly persons. Furthermore, this study could be defined as being wide-reaching, exploratory and descriptive, by means of a qualitative and quantitative approach. I utilized a questionnaire that involved 25 family caregivers and care managers of dependant elderly (hospitalized in medical or surgery wards of private hospital, CUF Descobertas Hospital and suffering from some type of dependency). Conclusions: The main difficulties felt by family caregivers or care managers are primarily related to time management and the health of the caregiver. Let it be mentioned that more developed strategies were adopted such as the employment/recruitment of a housemaid and the help of other relatives. In sum, it can be concluded that there is a preferential tendency by families in seeking the complementarity of informal and formal support in order to provide the necessary care to the dependent elderly in the family environment.
Resumo:
Dissertao apresentada para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Histria Moderna e dos Descobrimentos
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Dissertao para obteno do Grau de Mestre em Gentica Molecular e Biomedicina
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RESUMO: Os doentes que vo consulta com sintomas fsicos para os quais o mdico no encontra uma causa orgnica, so frequentes na Medicina Geral e Familiar, embora no sejam especficos, e so o objecto de estudo do presente trabalho. No deixar uma doena por diagnosticar (erro de tipo II) sem contudo rotular pessoas saudveis como doentes (erro de tipo I) um dos mais difceis problemas da prtica clnica diria e para o qual no existe uma orientao infalvel e no previsvel que alguma vez venha a existir. Mas se o diagnstico de doena ou no-doena difcil, o tratamento dos que no tem doena, embora com sofrimento, tambm no mais fcil, sobretudo, se estivermos conscientes do sofrimento que determina a medicalizao e a iatrogenia. O presente trabalho est estruturado em 3 partes. Na primeira parte descrevemos a nossa viso integrada do que apreendemos da leitura da literatura publicada e qual tivemos acesso. semelhana do que se verifica na maioria das reas da Medicina esta tambm uma em que o conhecimento cresce a ritmo exponencial. No entanto, falta de conceitos precisos e de definies consensuais sucede um conhecimento, por vezes, pouco consistente, tanto mais que estamos na fronteira entre a cultura leiga e a cultura erudita mdica em que os significados devem, a todo o momento, ser validados. Fizemos uma reviso sobre as definies do que est em questo, sobre o que se sabe sobre a frequncia dos sintomas fsicos na populao, quantos recorrem aos servios de sade e o que lhes feito. Passmos por uma reviso da fisiologia destes sintomas e algumas explicaes fisiopatolgicas para terminarmos sobre o que os doentes pensam sobre os seus sintomas e os cuidados que recebem e o que os profissionais pensam sobre estes doentes. Esta parte termina com uma reviso das propostas de abordagem para este tipo de doentes. Na segunda parte, descrevemos os estudos empricos focados no problema dos pacientes com sintomas fsicos mas sem evidncia de doena orgnica. Comea por uma apresentao dos aspectos processuais e metodolgicos dos estudos realizados, mais especificamente, de dois estudos quantitativos e um qualitativo. No primeiro estudo pretendeu-se avaliar quais so os sintomas fsicos e a sua frequncia na populao em geral e a frequncia de pacientes que procuram (ou no) os servios de sade tendo como motivo este tipo de sintomas. O objectivo deste estudo contribuir para a demonstrao que este tipo de sintomas faz parte da vida do dia-a-dia e que, na maioria das vezes, s por si no significa doena, sem contudo negar que representa sofrimento, por vezes at maior do que quando h patologia orgnica. Se no primeiro estudo era demonstrar que os sintomas fsicos so frequentes na populao, no segundo estudo o objectivo demonstrar que pacientes com este tipo de sintomas so igualmente frequentes e que o tipo de sintomas apresentados na consulta no difere dos referidos pela populao em geral. Pretendia-se ainda saber o que feito ou proposto pelo mdico a estes doentes e se estes doentes traziam ou no, junto com os sintomas, ideias explicativas para os mesmos. Finalmente e no menos importante, avaliar o grau de fidedignidade do diagnstico de sintoma somatoforme, chamando assim ao sintoma fsico que foi levado consulta e que o mdico diagnosticou como no tendo causa orgnica. O terceiro estudo parte do conhecimento adquirido que a Medicina tem muitas respostas para este problema, mas poucas que se possam considerar satisfatrias se usadas isoladamente. Que a maioria das solues procurada entre a cultura mdica e num paradigma reducionista de separao mente-corpo. Contudo, se o sintoma construdo pelo doente, se o principal problema no est no sintoma mas na forma como o paciente o v, ento pareceu-nos lgico que a soluo tambm tem que passar por integrarmos no plano de abordagem o que o doente entende ser melhor para si. Nesta sequncia, entrevistaram-se alguns doentes cujo diagnstico de sintomas somatoformes estava demonstrado pelo teste do tempo. Por isso, entrevistaram-se doentes que j tinham ido consulta de MGF h mais de 6 meses por sintomas somatoformes e, na data da entrevista, o diagnstico se mantinha inalterado, independentemente da sua evoluo. As entrevistas visaram conhecer as ideias dos doentes sobre o que as motivou a procurarem a consulta, o que pensavam da forma como foram cuidados e que ideias tinham sobre o que os profissionais de sade devem fazer para os ajudar a restabelecer o equilbrio com o seu ambiente evitando a medicalizao, a iatrogenia e a evoluo para a cronicidade. Na terceira parte, discutem-se e integram-se os resultados encontrados no conhecimento previamente existente. Tenta-se teorizar, fazer doutrina sobre o tema e contribuir para abordagens teraputicas mais personalizadas, abrangentes, variadas e multimodais, baseadas sempre no mtodo clnico centrado no paciente, ou de modo menos correcto mas enftico, baseadas no mtodo centrado na relao. Apresentam-se algumas hipteses de trabalhos futuros sobre o tema e, sobretudo, esperamos ter contribudo para o reconhecimento da necessidade de a comunicao mdico-doente ser uma aprendizagem transversal a todos os profissionais de sade e ao longo da vida, com a ideia que sempre possvel fazer melhor, caso contrrio tenderemos, inexoravelmente, a fazer cada vez pior.-----------ABSTRACT: Patients who go to consultation with physical symptoms, for which the doctor does not find an organic cause, are the subject of the present study. They are common in family medicine, although not specific. Do not let an undiagnosed disease (type II error), but without labeling healthy people as patients with disease (type I error) is one of the most difficult problems in clinical practice and for which doesnt exist an infallible guide and it is unlikely that any since coming into existence. But, if the diagnosis of disease or non-disease is difficult, the treatment of those who do not have the disease, though suffering, it is not easy, especially if we are aware of the suffering that medicalization and iatrogenic determines. This work is structured in three parts. In the first part we describe our integrated view of what we grasp from reading the published literature and to which we had access. Similar to that found in most areas of medicine, this is also one in which knowledge grows exponentially. However, the absence of precise concepts and consensual definitions determines an inconsistent knowledge, especially because we're on the border between secular culture and medical culture where, at all times, the meaning must be validated. We did a review on the definitions of what is at issue, what is known about the frequency of physical symptoms in the population, how many use the services of health and what they receive as care. We went through a review of the physiology of these symptoms and some pathophysiological explanations, to finish on what patients think about their symptoms and how they perceived the care they received and, finally, what professionals think about these patients. This part ends with a review of the approaches proposed for such patients. In the second part, we describe the empirical studies focused on the problem of patients with physical symptoms but no evidence of organic disease. Begins with a presentation of the procedural and methodological aspects of studies, more specifically, two quantitative and one qualitative. The first study sought to assess which are the physical symptoms, their incidence in the general population and the frequency they seek (or not) health services on behalf of those symptoms. The aim behind this study was to contribute to the demonstration that this type of symptoms is part of life's day-to-day and that, in most cases, does not represent disease by itself, without denying that they represent suffering, sometimes even greater than when there are organic disease. The first study endeavor to demonstrate that the physical symptoms are common in the population. The second study aspires to demonstrate that patients with such symptoms are also common and that the type of symptoms presented in the consultation does not differ from those in the general population. The aim was also to know what is done or proposed by the physician for these patients and if these patients brought or not, along with the symptoms, explanatory ideas for them. Finally and not least, it would try to assess the degree of reliability of diagnosis of somatoform symptoms, thus drawing the physical symptom that patient presents in the consultation and that the doctor diagnosed as having no organic cause. The third study starts from the acquired knowledge that medicine has many answers to this problem, but few can be considered satisfactory if used in isolation. The most solutions are sought in the medical culture and based on a reductionist paradigm of mind-body. However, if the symptom is "built" by the patient, if the main problem is not the symptom but the way the patient sees it, then it seemed logical to us that the solution must integrate the approaches that patients believes are best for them. Subsequently, a few patients, whose diagnosis of somatoform symptoms was demonstrated by the test of time, were interviewed. Therefore, patients who were interviewed had gone to the consultation of family medicine more than 6 months before for somatoform symptoms and. at the moment of the interview, the diagnosis remained unchanged, regardless of their evolution. The interviews aimed to ascertain the patients' ideas about what motivated them to seek consultation, what they thought about the care they got and which ideas they have about what health professionals should do to help these patients to re-establish equilibrium with its environment avoiding medicalization, iatrogenic effects and the evolution to chronicity. In the third section, we discuss and integrate the results found in previously existing knowledge. Attempts to theorize on the subject and contribute to more personalized treatment, comprehensive, varied and multi-modal approaches, always based on patient-centered clinical method, with emphasis on the relationship. We presents some hypotheses for future work on the subject and,above all, defend the recognition of the importance of lifelong learning communication skills for all health professionals, with the idea that we can always do better, otherwise we tend inexorably to do worse.
Resumo:
RESUMO - Caracterizao do problema: O sistema de sade portugus atingiu um patamar de ineficincia tal que urge ser reestruturado de forma a torn-lo sustentvel. De forma a atingir este nvel de sustentabilidade, uma srie de solues podem ser consideradas das quais destacamos a integrao de cuidados. Este conceito exige que os diferentes nveis de sade sigam um nico caminho, trabalhando de forma coordenada e contnua. A integrao de cuidados pode ser implementada atravs de vrias tipologias entre as quais se destaca a integrao clnica que por sua vez composta pela continuidade de cuidados. Assim, ao medir a continuidade de cuidados, quantifica-se de certa forma a integrao de cuidados. Objetivos: Avaliar o impacto da continuidade de cuidados nos custos. Metodologia: Os dados foram analisados atravs de estatsticas descritivas para verificar o seu grau de normalidade. Posteriormente foram aplicados testes t-student para analisar a existncia de diferenas estatisticamente significativas entre as mdias das diferentes variveis. Foi ento estudado o grau de associao entre variveis atravs da correlao de spearman. Por fim, foi utilizado o modelo de regresso log-linear para verificar a existncia de uma relao entre as vrias naturezas de custos e os ndices de continuidade. Com base neste modelo foram simulados dois cenrios para estimar o impacto da maximizao da continuidade de cuidados nas vrias naturezas de custos. Concluses: No geral, verifica-se uma relao muito ligeira entre a continuidade de cuidados e os custos. Mais especificamente, uma relao mais duradoura entre o mdico e o doente resulta numa poupana de custos, independentemente da tipologia. Analisando a densidade da relao, observa-se uma relao positiva entre a mesma e os custos totais e o custo com Meios Complementares de Diagnstico e Teraputica (MCDT). Contudo verifica-se uma relao mdico-doente negativa entre a densidade e os custos com medicamentos e com pessoal. Ao analisar o impacto da continuidade de cuidados nos custos, conclui-se que apenas a durao da relao mdico-doente tem um impacto negativo em todas as categorias de custos, exceto o custo com medicamentos. A densidade de cuidados tem um impacto negativo apenas no custo com pessoal, influenciando positivamente as outras categorias de custos. Extrapolando para o nvel nacional se o nvel de densidade de uma relao fosse maximizado, existiria uma poupana de 0,18 euros, por ano, em custos com pessoal.
Resumo:
O cancro do clon e reto familiar do tipo X (FCCTX) um sndrome que define as famlias que preenchem os critrios de Amesterdo, mas cujos tumores no apresentam instabilidade de microssatlites e tambm nas quais no identificada mutao germinal nos genes de reparao de erros de DNA do tipo mismatch (MMR). A sua causa molecular permanece desconhecida. O presente trabalho teve como objetivo avaliar o envolvimento de genes localizados numa regio de suscetibilidade previamente identificada para o FCCTX (13q32-33), assim como de mutaes identificadas previamente numa famlia FCCTX, atravs da anlise do exoma por sequenciao de nova gerao (NGS). Pretendeuse ainda melhorar a caracterizao molecular de tumores FCCTX. Foi efetuada anlise de mutaes germinais nos genes KDELC1 e ERCC5 em 15 indivduos ndex de famlias FCCTX e 2 familiares de uma dessas famlias. No caso do gene TPP2, foi avaliado o envolvimento de um transcrito expresso alternativamente, previamente identificado, atravs de anlise mutacional e da quantificao da expresso diferencial dos transcritos por real-time PCR. Foi ainda efetuada a anlise de segregao com a doena na famlia, de 5 mutaes em genes distintos, selecionadas a partir dos resultados da anlise do exoma. Foi efetuada a anlise de alteraes de copy-number e de metilao nos genes MMR, MGMT e APC em 22 tumores FCCTX por MS-MLPA. No foram identificadas mutaes potencialmente patognicas nos genes KDELC1 e ERCC5. No entanto, foram identificadas 2 mutaes, uma no ERCC5 (c.2636 A>G) e outra no KDELC1 (c.455A>T) em relao s quais no se pode excluir a sua patogenicidade. No foi detetada qualquer mutao no TPP2 associada expresso diferencial dos transcritos, no entanto verificou-se que a expresso difere entre tecidos (sangue e clon). A anlise de segregao das mutaes selecionadas a partir da anlise do exoma, revelou que apenas para um dos genes a alterao poder ser patognica. Foram identificados ganhos frequentes, assim como metilao, nos genes MMR e MGMT, nos tumores FCCTX, sendo significativamente mais frequentes num subgrupo destes tumores que apresenta perdas em genes supressores de tumor (TSG+), em relao ao grupo que no apresenta estas alteraes. A metilao no APC tambm apresentou padres distintos entre os dois subgrupos de tumores FCCTX. Em concluso, as variantes observadas nos genes KDELC1, ERCC5 e TPP2, assim como a alterao identificada no mbito da anlise do exoma no devem ser excludas, podendo ser possvel a sua contribuio para a suscetibilidade para o FCCTX. O padro de alteraes de copy-number e de metilao nos tumores FCCTX refora a existncia de pelo menos duas entidades moleculares distintas no FCCTX e sugere mecanismos de tumorignese especficos para a iniciao tumoral neste sndrome.