Esquizofrenizar a morte
Data(s) |
16/07/2014
16/07/2014
2013
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Resumo |
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Filosofia (especialidade em Ontologia e Filosofia da Natureza) Que relação existe entre morte e psicose? Como abordaremos o grito psicótico que, sofrendo uma perda radical de realidade, repete insistentemente, obsessivamente, que é a própria vida, na sua faísca essencial, que se perdeu? Como será esta perda uma morte, um suicídio involuntário, impessoal, onde é em mim, num morrer eternamente anterior, que a própria morte acaba? Críticos à maneira em que tanto a psiquiatria como a psicanálise abordam estas questões, consideraremos - nos termos de uma análise ao conjunto da vida e obra de Antonin Artaud - como o corpo que ele nomeia sem órgãos é criado não só para as responder como também como ponto de partida para um projecto mais amplo: o de retomar a vida e a morte sobre novas bases. Como resposta ao corpo descorporizado, morto, suicidado, anunciado nestes gritos, investigaremos como Artaud propõe a produção do corpo sem órgãos do interior do corpo que, sofrendo uma morte anterior à morte, não só deixa de „corporizar a realidade‟ mas também, crucialmente, revela um Dentro mais profundo do que qualquer interioridade vivida por um sujeito „equilibrado‟ no seu eixo sensório-motor. Prosseguiremos em seguida à questão da vida: qual a relação entre o corpo sem órgãos e os corpos intensivos, duplos, que Artaud anuncia no seu „Théâtre de la Cruauté‟? A resposta que damos é a seguinte: que os corpos deste teatro nascem do corpo sem órgãos; que nascidos deste corpo, eles são os corpos do lado duplo da própria vida („do outro lado‟); e finalmente, que jamais transcendendo a vida, eles nos forçam a supor um sensível ilimitado que extravasa por todos os lados os ditos limites da experiência humana. É, portanto, a seguinte tríade de corpos que somos levados por Artaud a definir e em torno do qual giram os movimentos conceptuais propostos neste ensaio: corpo suicidado - corpo sem órgãos - corpo intensivo. É ao considerarmos uma análise mais filosófica (e clínica) desta tríade, que as três ou quatro páginas do Anti-Édipo onde Deleuze-Guattari introduzem a tarefa de „esquizofrenizar a morte‟ se apresentam como centrais. A nossa intenção é dupla: primeiro, clarificar o que eles definem como uma „experiência de morte no inconsciente‟; segundo, conceber esta experiência, a conversão ou mutação do corpo suicidado num corpo sem órgãos, como um acontecimento - acontecimento este que, para distingui-lo do que Deleuze propõe em Diferença e Repetição e Lógica do Sentido, definiremos como esquizofrénico: o Acontecimento esquizo. É ao expandirmos a concepção deste Acontecimento segundo o que definiremos como um espinosismo esquizo, que chegaremos - enquadrando certas passagens do O que é a Filosofia? de Deleuze-Guattari no conjunto do pensamento de Henri Bergson - ao conceito proposto na conclusão: o que, afirmando corpos que nascem no „outro lado da existência‟ e não „deste‟, anuncia um cérebro-espírito na imanência do qual todos eles sobrevivem enquanto „por vir‟ eterno da própria vida. |
Identificador |
http://hdl.handle.net/10362/12476 101291272 |
Idioma(s) |
por |
Publicador |
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa |
Direitos |
openAccess |
Palavras-Chave | #Esquizofrenia #Psicose #Morte #Vida #Suicídio #Inconsciente #Corpo #Sensório-motor #Esquizoanálise #Electrochoques |
Tipo |
doctoralThesis |