Os 63 dias que abalaram o Estado Novo - Incursão histórica à crise terminal do regime


Autoria(s): Oliveira, Zélia Costa de
Data(s)

19/03/2013

19/03/2013

01/09/2012

Resumo

Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em História Contemporânea

No início de 1974, o Governo português chefiado por Marcello Caetano vai sofrer um forte abalo ao ser confrontado, pela primeira vez, com a falta de apoio à sua política por parte dos mais altos representantes das Forças Armadas (FA). Esta mudança de posição das FA, instituição que constituía um dos pilares do regime, vai contribuir para a desagregação do Governo. O grande problema do país era a guerra que se travava nas colónias (Angola, Moçambique e Guiné Bissau) há 13 longos anos, arrastando consigo milhares de homens. Ao manter o conflito sem um fim à vista, o regime provocou um enorme desgaste e cansaço no meio militar. A derrota iminente na Guiné e a incapacidade do Governo para obter armamento ainda agravou mais a moral das tropas. Neste contexto, o aparecimento de um livro (a 22 de fevereiro de 1974) da autoria do vice-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), António Spínola (a segunda principal figura das FA), a proclamar a inutilidade da guerra veio emprestar uma nova bandeira a um movimento de capitães já anteriormente formado para reivindicar questões corporativas. A historiografia nacional já caracterizou o marcelismo mas não relatou de forma aprofundada os momentos finais do regime, em que o Estado Novo se desfaz em 63 dias, a partir da data da publicação do livro. Esta dissertação relata, dia-a-dia, a crise política que se gerou após a publicação da obra “Portugal e o Futuro”. As estruturas intermédias das forças armadas organizam-se em torno do Movimento das Forças Armadas e passam a conspirar contra a política de manutenção da guerra e acentuam-se as divergências entre o presidente do conselho e o Presidente da República. A saída do livro provocou o divórcio entre o Governo e as Forças Armadas e a gravidade da situação levou Marcello Caetano a pedir a demissão a 28 de fevereiro e a 11 de março, mas sem sucesso. O Presidente da República dirá apenas que o caminho é “ir até ao fim”.

Identificador

http://hdl.handle.net/10362/9154

Idioma(s)

por

Publicador

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Direitos

openAccess

Palavras-Chave #Marcello Caetano #Movimento das Forças Armadas
Tipo

masterThesis