Os Espelhos da Vanitas: a dinâmica reflexiva e a crítica da representação na filosofia e na pintura do século XVII


Autoria(s): Fonseca, Nuno Sérgio Machado da
Data(s)

23/07/2012

01/07/2012

Resumo

Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Filosofia, especialidade de Filosofia do conhecimento e Epistemologia

Esta tese ocupa-se da noção de representação, no âmbito do pensamento do século XVII. Partiu de duas hipóteses cruzadas: 1) que a noção de representação tem uma dinâmica reflexiva que é imanente ao acto de representar, a qual implica, por isso, uma representação desse acto, ou seja, uma auto-representação; 2) que é possível estabelecer uma analogia profícua entre a representação mental e a representação pictórica, como elas foram entendidas no discurso filosófico e na prática pictórica do século XVII, e que essa analogia ilumina a natureza e as propriedades da noção de representação. Numa primeira parte, a tese procura caracterizar os elementos principais daquilo a que pode chamar-se de paradigma representativo na filosofia e na pintura do século XVII. Essa caracterização faz-se a partir da «Lógica» de Port-Royal, cuja primeira parte se identifica com uma lógica ou, em rigor, com uma epistemologia da ideia, noção ambígua mas que é a sede conceptual de uma teoria do conhecimento representacionista. Os traços do sistema clássico da representação revelados por uma “teoria do signo representativo”, na «Lógica», podem ser complementados pela interpretação arnaldiana de uma teoria da percepção, explicitada na polémica das ideias entre Arnauld e Malebranche, que confirma, ao mesmo tempo, o sentido e o alcance da representatividade do pensamento na epistemologia cartesiana. Por outro lado, a troca epistolar entre Arnauld e Leibniz sobre a noção de “expressão” permite uma interpretação alternativa dessa representatividade do pensamento, reiterando, no entanto, a dinâmica reflexiva do acto de representar, que é próprio da natureza da substância individual. Num segundo momento dessa caracterização, é possível fazer uma aproximação entre o discurso filosófico e a prática artística no que respeita às suas teorias da percepção – a teoria da visão de Kepler, a Dióptrica de Descartes e as catóptricas de Mersenne e Nicéron – e às práticas da representação – a representação em perspectiva linear frontal e anamorfótica.

Identificador

http://hdl.handle.net/10362/7541

Idioma(s)

por

Publicador

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Direitos

restrictedAccess

Palavras-Chave #Representação #Ideia #Reflexividade #Percepção #Representação pictórica #Vanitas, #Auto-Representação #Cepticismo
Tipo

doctoralThesis