Fotografia e espaço de (encen)acção do real. Para uma leitura da obra Women of Allah, de Shirin Neshat


Autoria(s): Machado, Ana Filipa Sérgio Romão
Contribuinte(s)

Babo, Maria Augusta

Data(s)

08/02/2012

08/02/2012

01/09/2011

Resumo

Dissertação de Mestrado em Ciências da Comunicação Variante de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias

O carácter imediato e mecânico da fotografia confere-lhe um estatuto que, desde o início, a sustenta como apodíctica prova de verosimilhança com o real. Da automaticidade e ausência de intervenção humana decorrem, precisamente, os pilares onde assentou a sua implementação no século XIX. Este primeiro entendimento da fotografia sustentado pela naturalidade mimética será, mais tarde, confrontado com um quadro de pensamento que defende o carácter fortemente codificado do medium. A fotografia estaria, assim, impregnada da sua circunstância e por ela condicionada. Uma terceira linha de pensamento recupera o intransponível laço com o referente estando consciente de que, a partir do momento que a imagem é feita, está imbuída de códigos que nunca mais a abandonarão. O fascínio do homem pela representação de si mesmo e do outro não é recente. A necessidade de representação e, particularmente, a autorepresentação, é sintoma de uma presença no mundo e corresponde à constatação do hiato sentido pelo próprio ser humano dada a sua condição de ser finito. O rosto e o corpo surgem como lugares de constante inquirição e campo de trabalho por excelência. Os retratos mantêm viva a presença do referente, mesmo quando este está ausente ou morto. A ausência é colmatada pela imagem. A fotografia envia-nos, automaticamente, para uma realidade exterior e anterior, permitindo ao sujeito voltar a re-ver(-se). Embora, comummente, ainda esteja instituído um entendimento da fotografia indexado à promessa de relação privilegiada com o real, o sentido da imagem fotográfica tem sofrido alterações na sociedade contemporânea, e, nomeadamente, nos circuitos artísticos. A artista iraniana Shirin Neshat, na obra Women of Allah, socorre-se da fotografia, precisamente, pelas suas características de proximidade com o real, utilizando o medium fotográfico como espaço de encenação e ficção desse mesmo real.

Identificador

http://hdl.handle.net/10362/6973

Idioma(s)

por

Publicador

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa

Direitos

openAccess

Palavras-Chave #Fotografia #Auto-representação #Encenação
Tipo

masterThesis