Que farei com este cânone?: Uma leitura de “O cadáver de James Joyce”, de José Luís Peixoto


Autoria(s): Trindade, Jorge Francisco Martins
Data(s)

06/01/2015

06/01/2015

2012

Resumo

«O Cadáver de James Joyce», conto publicado por José Luís Peixoto na revista Ficções em 2004, é um exercício que explora os territórios ambíguos que se situam na intersecção da “realidade” com a “imaginação”, da biografia com a ficção. O narrador-protagonista, José Luís Peixoto – epónimo do autor, portanto -, narra em poucas páginas a viagem impossível que faz a Zurique e a Dublin com o propósito único de secretamente devolver os restos mortais de James Joyce à cidade natal do escritor irlandês. A brevidade da narrativa acolhe a magnitude do feito narrado operando uma redimensionação do mundo, que por um lado o miniaturiza e por outro o esquematiza e, por essa via, irrealiza. A própria linguagem do conto acompanha este movimento de esquematização e síntese: a frase tende a encurtar-se, essencializa-se – e esta compressão da linguagem reforça o efeito da compressão do mundo representado. Pela forma como problematiza as relações entre a linguagem e o mundo, entre a literatura e a realidade, «O Cadáver de James Joyce» encena, em última instância, a dimensão simultaneamente grandiosa e precária da criação literária.

Identificador

Trindade, Jorge Martins - “Que farei com este cânone?: Uma leitura de “O cadáver de James Joyce”, de José Luís Peixoto”. In O Conto na Lusofonia 2: Antologia crítica. Lisboa: CLEPUL, 2012. ISBN 978-989-8577-04-7. pp. 141-150.

978-989-8577-04-7

http://hdl.handle.net/10400.21/4110

Idioma(s)

por

Publicador

CLEPUL

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Palavras-Chave #Contos #Linguagem #Elipse (linguagem) #Representação #Personagem
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