Cenários de impacto de uma eventual pandemia de gripe na população portuguesa : morbilidade, mortalidade e necessidade de cuidados de saúde


Autoria(s): Nunes, Baltazar; Falcão, Isabel; Falcão, José Marinho; Machado, Ausenda; Nogueira, Paulo; Rodrigues, Emanuel; Paixão, Eleonora
Data(s)

11/05/2016

11/05/2016

01/12/2007

Resumo

RESUMO - Introdução — O presente estudo descreve os cenários de impacto que uma eventual pandemia de gripe poderá ter na população portuguesa e nos serviços de saúde. Trata-se de uma versão actualizada dos cenários preliminares que têm vindo a ser elaborados e discutidos desde 2005. Material e métodos — Os cenários assumem que a pandemia ocorrerá em duas ondas das quais a primeira (taxa de ataque: 10%) será menos intensa do que a segunda (taxas de ataque: 20%, 25% ou 30%). Neste trabalho são descritos apenas os cenários respeitantes à situação mais grave (taxa de ataque global = 10% + 30%). A elaboração dos cenários utilizou o método proposto por Meltzer, M. I., Cox, N. J. e Fukuda, K. (1999) mas com quase todos os parâmetros adaptados à população portuguesa. Esta adaptação incidiu sobre: 1. duração da pandemia; 2. taxa de letalidade; 3. percentagem da população com risco elevado de complicações; 4. percentagem de doentes com suspeita de gripe que procurará consulta; 5. tempo entre o início dos sintomas e a procura de cuidados; 6. percentagem de doentes que terá acesso efectivo a antiviral; 7. taxa de hospitalização por gripe e tempo médio de hospitalização; 8. percentagem de doentes hospitalizados que necessitarão de cuidados intensivos (CI) e tempo de internamento em CI; 9. efectividade de oseltamivir para evitar complicações e morte. Resultados — Os cenários correspondentes à situação mais grave (taxa de ataque global: 10% + 30%) são apresentados sem qualquer intervenção e, também, com utilização de oseltamivir para fins terapêuticos. Os resultados sem intervenção para o cenário «provável» indicam: • número total de casos — 4 142 447; • número total de indivíduos a necessitar de consulta — 5 799 426; • número total de hospitalizações — 113 712; • número total de internamentos em cuidados intensivos — 17 057; • número total de óbitos — 32 051; • número total de óbitos, nas semanas com valor máximo — 1.a onda: 2551, 2.a onda: 7651. Quando os cenários foram simulados entrando em linha de conta com a utilização de oseltamivir (considerando uma efectividade de 10% e 30%), verificou-se uma redução dos valores dos óbitos e hospitalizações calculados. O presente artigo também apresenta a distribuição semanal, no período de desenvolvimento da pandemia, dos vários resultados obtidos. Discussão — Os resultados apresentados devem ser interpretados como «cenários» e não como «previsões». De facto, as incertezas existentes em relação à doença e ao seu agente não permitem prever com rigor suficiente os seus impactos sobre a população e sobre os serviços de saúde. Por isso, os cenários agora apresentados servem, sobretudo, para fins de planeamento. Assim, a preparação da resposta à eventual pandemia pode ser apoiada em valores cujas ordens de grandeza correspondem às situações de mais elevada gravidade. Desta forma, a sua utilização para outros fins é inadequada e é vivamente desencorajada pelos autores.

ABSTRACT - Introduction — The study describes the impact scenarios of a hypothetic influenza pandemic in the health and in the health services of the Portuguese population. It is an updated version of the preliminary scenarios published in 2005. Material and methods — The scenarios consider that a two wave pandemic will occur; the first one (attack rate = 10%) being less severe than the second one (attack rate = 20%, 25% or 30%). This report include only the scenarios corresponding to the most severe situation (attack rate = 10% + 30%). The scenarios were based in the method proposed by Meltzer, M. I., Cox, N.J. e Fukuda, K. (1999), although almost all parameters were adapted to the Portuguese population. The modifications included 1. duration of the pandemic; 2. case-fatality rate; 3. Percentage of the population with a high risk of complications; 4. Percentage of patients with a suspected set of symptoms that will seek ambulatory medical care; 5. Time elapsed between symptoms onset and seeking medical care; 6. Percentage of patients with effective access to an antiviral; 7. rate of hospital admission by influenza and time of hospital stay; 8. Percentage of patient admitted to hospital that will need intensive care (IC) and duration of IC; 9. effectiveness of oseltamivir to prevent complications and death. Results — The scenarios corresponding to the more severe situation (overall attack rate = 10%+30%) are presented both without intervention and with the therapeutic use of oseltamivir. Results without intervention for the «most likely» scenario are: Total number of cases — 4 142 447. Total number of cases seeking for ambulatory care — 5 799 426 Total number of hospital admissions — 113 712 Total number of admissions to intensive care units — 17 057. Total number of deaths — 32 051 When the scenarios were calculated taking into account the use of oseltamivir (considering a 10% to 30% of effectiveness), a decrease of the numbers of deaths and hospitalizations was obtained. The paper reports also the values of each of the components of the scenarios in each of the weeks of the pandemic. Discussion — The results reported must be interpreted as «scenarios » not as «forecasts». In fact, the uncertainties related to the disease, and its agent, do not allow forecasting, with enough validity, the impacts on the population and on health services. The scenarios reported must be used, essentially, for planning purposes. Therefore, the preparation of the response to a possible pandemic can be supported by approximate values corresponding to the most severe situations. The use of these scenarios for other purposes is inadequate and the authors strongly discourage it.

Identificador

0870-9025

http://hdl.handle.net/10362/17240

Idioma(s)

por

Publicador

Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade NOVA de Lisboa

Relação

http://www.sciencedirect.com/science/journal/08709025

Direitos

openAccess

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/

Palavras-Chave #Gripe #Pandemia #Morbilidade #Mortalidade #Serviços de saúde #Epidemiologia #Estudos epidemiológicos #Influenza #Pandemic scenarios #Morbidity #Mortality #Health services #Epidemiology #Epidemiological studies
Tipo

article